Construímos um submarino: quais foram os maiores erros e acertos?

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O dia do submarino Ariranha ir para o mar está chegando e nós já estamos na contagem regressiva. Nesta matéria, contamos o início de tudo: desde a promessa de 500 mil joinhas até as primeiras decisões relacionadas ao projeto. E hoje, vamos dar continuidade a essa história!

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Construção do submarino 

O ano de 2018 foi concentrado, principalmente, em reunir peças para o submarino. E foi no dia 31 de dezembro em que anunciamos que ele finalmente tinha saído do papel. A partir daí, começamos a cortar as 40 peças que iram fazer parte do casco da nossa embarcação.

Como em todo grande projeto, muitas pessoas se envolveram até chegar no resultado final. O físico Roberto Spinelli Filho, mais conhecido como Pena, é um caso de destaque, já que entrou no Manual do Mundo especialmente para contribuir com a construção do submarino. “Já fiz bastante coisa maluca na vida. Mas sem dúvidas, essa é até agora a coisa mais desafiadora”, conta.

De madeira em madeira, montamos a frente do submarino, que depois foi laminada com fibra de vidro. A partir dessa etapa, já era perceptível que ele ficaria pesado e resistente, o que contava como um ponto positivo. De acordo com Pena, o passo seguinte foi projetar e construir os tanques de lastro. “Com os tanques moldados, era hora de pensar nas vigias (janelas) do submarino. Calculei a espessura mínima dos blocos de acrílico para resistirem à pressão sem trincar e instalei-os apropriadamente. Depois me dediquei a projetar e construir a escotilha, umas das partes mais críticas e complexas, por ter peças móveis que precisam travar e garantir a vedação da cabine”, explica.

Outra decisão importante foi a quantidade de oxigênio que estaria disponível. São 12 mil litros de ar, não apenas para a respiração do Iberê, mas também para controlar os lastros. Bastante coisa, né? Afinal, tudo precisa ser muito seguro para o futuro grande mergulho no mar.

A explosão do lastro

O trabalho para descobrir e selar os vazamentos foi grande. Porém, o momento mais tenso de toda a história do nosso submarino foi quando, ao tentar resolver um deles, o tanque de lastro traseiro explodiu. “Estava tudo praticamente pronto, funcionando impecável, bastava fechar a última camada, quando um rombo gigante se abriu no teste de pressão ao limite”, lamenta Pena.

Apesar do estresse, o problema foi resolvido: reconstruímos a área deste vazamento e fechamos o rombo. E muita felicidade ainda estava por vir…

Melhores momentos

Após três anos de projeto, sem dúvidas, um dos melhores momentos foi ver o submarino debaixo d’água pela primeira vez. No dia 2 de janeiro de 2021, levamos a nossa embarcação para uma piscina de 4,8 metros de profundidade. Fizemos ao todo sete testes para ver se tudo estava aprovado para o nosso mergulho no mar: funcionamento das válvulas, descida, checagem de vazamento, emersão, capacidade de manobrar, evacuação e resgate.

“Embora eu tenha construído a maior parte do submarino, é muito importante ressaltar a importância de diversas pessoas nesse processo. O Iberê e o Fernando acompanharam de perto tudo e foram essenciais nas discussões para chegar nas melhores soluções de projeto. E um agradecimento muito especial ao meu pai, Roberto Spinelli, que tantas vezes foi até o Manual me ajudar, fosse pensando, construindo ou laminando o submarino comigo”, finaliza Pena.

submarino

Uma coisa nós podemos garantir: o submarino Ariranha ainda nos trará muita emoção! Em breve, você verá a nossa embarcação navegando no mar. E aí, qual momento mais te surpreendeu nessa jornada?

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Jornalista e produtora de conteúdo. Desde criança, amo escrever e refletir sobre diversos assuntos. Faço questão de estar imersa nas redes sociais (minha favorita é o Instagram), e séries e filmes têm sempre um espacinho reservado no meu tempo livre. Como uma boa fã de Friends, acredito que um pouco de descontração é fundamental para levar a vida da melhor forma possível.