Ciência em casa: reações químicas que acontecem em 4 produtos de limpeza

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Por mais inesperado que isso possa parecer, a ciência, com certeza, está em todos os lugares e não somente em laboratórios ou universidades, como muitas pessoas acreditam. Podemos encontrar a ciência em casa, em atividades corriqueiras do nosso dia a dia, como nas reações químicas que acontecem em produtos de limpeza.

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Produtos usados em casa podem causar reações químicas perigosas | iStock

Produtos de limpeza

Os produtos de limpeza são figurinhas carimbadas em inúmeros lares espalhados pelo mundo. Eles são responsáveis por inúmeros benefícios como a higienização, a perfumação e muito mais.

No supermercado, por exemplo, existe um setor específico para essa categoria. Ao entrar no corredor de produtos de limpeza, é possível se deparar com uma extensão de frascos coloridos e perfumados enfileirados com funcionalidades diferentes.

Tantas misturas, carregadas de fórmulas e elementos químicos, claro, só poderiam resultar em reações que justificam o fato de que a ciência em casa existe.

Produtos como álcool, água sanitária, detergente e soda cáustica, são apenas alguns que integram a dispensa dos cuidados com a casa.

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Os supermercados contam com uma grande variedade de produto de limpeza | iStock

Reações químicas em 4 produtos de limpeza

1- Álcool

O álcool é muito utilizado como agente desinfetante por ter a capacidade de inativar vários tipos de microrganismos que podem causar doenças, como bactérias, vírus e fungos. O porquê dessa ação não é totalmente conhecido, mas pesquisas nessa área mostram que a explicação mais provável é que o álcool reage com alguns componentes da célula desses organismos impedindo que eles desempenhem o seu papel corretamente.

“No caso do coronavírus, por exemplo, o efeito do álcool acontece sobre a “capa” protetora que existe ao redor dele. Como essa capa é composta por lipídeos semelhantes à gordura, o álcool consegue destruí-la sem muita dificuldade, ao contrário do que ocorre em outros tipos de vírus que têm uma proteção mais “reforçada”, explica o estudante de Engenharia de Materiais e um dos cientistas do Manual do Mundo, Arthur Okuda.

No entanto, vale ressaltar que o maior risco do uso de produtos à base de álcool é que eles também são, em geral, inflamáveis e podem pegar fogo. Nesse caso, é importante guardar esses produtos corretamente, longe de fontes de calor, faíscas, eletricidade estática e chama aberta para evitar incêndios.

Para quem utiliza o álcool como higienizador pessoal, ele deve ser espalhado nas mãos até que seque completamente, antes de realizar qualquer atividade que envolva risco de ignição.

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O álcool se tornou um grande aliado na luta contra o coronavírus | iStock

2 – Água sanitária

A água sanitária, muito conhecida por tira manchas, é uma mistura composta principalmente pelo sal hipoclorito de sódio (NaCℓO) dissolvido em água. Esse sal consegue reagir quimicamente com vários tipos de moléculas, mas é especialmente reativo quando colocado em contato com a maioria dos corantes e pigmentos, tanto naturais quanto artificiais.

Nesse caso, se tivermos uma mancha de café em uma roupa, por exemplo, existem algumas moléculas específicas que dão aquela cor característica à bebida e são elas que acabam manchando o tecido. Assim, ao inserir o líquido, ele reage com essas moléculas, que acabam sendo transformadas em outros produtos que não tem cor, e é por isso que a mancha some.

Vale acrescentar, no entanto, que essa capacidade do hipoclorito de reagir facilmente com vários tipos de moléculas faz com que essa mesma característica possa trazer alguns riscos para a saúde das pessoas caso o produto seja usado incorretamente.

Isso porque, o hipoclorito de sódio também reage muito facilmente com uma infinidade de outros produtos que são usados para a limpeza das casas e, em alguns casos, essa reação pode gerar produtos tóxicos, que fazem mal à saúde e podem levar a sérios problemas logo após o uso, causando náuseas, problemas respiratórios, irritação nos olhos, entre outras coisas.

“Exemplos de produtos que não podem ser misturados com a água sanitária incluem a amônia, o vinagre e o álcool. Até mesmo a aplicação sobre resíduos de urina pode produzir gases tóxicos”, informa Arthur.

“Para evitar esse tipo de problema, o ideal é nunca misturar a água sanitária com qualquer outro produto, a não ser a água pura. Outra dica é fazer uma limpeza inicial de todas as superfícies antes de usar o hipoclorito, garantindo que elas estejam livres de qualquer sujeira ou resíduos de outros produtos de limpeza”, completa o estudante de Engenharia de Materiais.

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A água sanitária é muito utilizada para retirar manchas | iStock

3 – Detergente

O detergente é o produto número um quando o assunto é lavar louça. Isso porque, lavar a louça engordurada só com água não é possível, tendo em vista que ela e o óleo não se misturam. Nesse caso, a água passa por cima da sujeira mas não consegue “arrastar” o óleo junto.

“O principal ingrediente do detergente é um produto que tem na sua molécula duas partes, uma delas que se mistura com o óleo e outra que se mistura com a água. Quando a gente vai lavar a louça é como se ele fizesse esse meio de campo, ajudando a água a carregar o óleo pra fora”, detalha Arthur.

Em geral o uso do detergente é bastante seguro, mas o ideal é limitar ao máximo o tempo de contato com a pele e lavar muito bem as mãos depois de usar, para evitar que o produto fique acumulado ou acabe indo para os olhos, por exemplo, principalmente no caso de pessoas com a pele sensível.

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O detergente é fundamental para tirar a gordura de objetos | iStock

4 – Soda cáustica

A soda cáustica é o nome comum do hidróxido de sódio, que é uma base forte muito usada em vários processos industriais e também em aplicações domésticas. Ela é capaz de desentupir encanamentos porque reage com alguns materiais que atrapalham a passagem da água pelos canos, como gordura e cabelos.

“Embora seja muito útil, a soda cáustica é um produto bastante perigoso e deve ser usado com muito cuidado. O primeiro risco é de uma queimadura química, já que o hidróxido de sódio é extremamente corrosivo e reage também com as substâncias da nossa pele”, explica Arthur.

“Além disso existe o risco de uma queimadura por calor, já que ocorre o aquecimento do líquido durante a mistura com a água. O ideal é sempre manipular o produto com luvas e óculos de proteção para respingos, evitando ao máximo o contato do produto com a pele e principalmente com os olhos”, conclui o estudante.

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A soda cáustica deve ser utilizada com muito cuidado | iStock
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