Educação democrática: projeto debate a função de alunos como agentes do conhecimento

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Você alguma vez já se questionou se temos uma educação democrática? Por mais simples que essa pergunta possa parecer, na verdade, ela é bem mais complexa do que se possa imaginar. Levando isso em consideração, um grupo de estudantes resolveu elaborar um projeto que visa discutir a função de alunos como agentes do conhecimento.

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Educação democrática

Intitulado “Periódico virtual Diário de Classe: a importância de um projeto de educação popular e de democratização da ciência”, o trabalho teve como evento norteador do projeto as ocupações de escolas públicas que ocorreram nos anos de 2015 e 2016.

Quer conferir mais sobre o projeto que discute a educação democrática? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

Educação-democrática
Projeto busca discutir a função dos alunos na sala de aula | Divulgação

“Projeto de educação popular e de democratização da ciência”

*Por Gabriella Vitória B. L. dos Santos e Matheus Luiz F. G. da Silva
*Coordenado por Caroline A. Bordalo e Valena Ramos

Este artigo trata da criação e do desenvolvimento do projeto de extensão Periódico Virtual Diário de Classe: novos paradigmas para uma educação democrática no século XXI, bem como de sua participação na décima nona Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE). Construído pelos alunos Matheus Luiz Franco Guedes da Silva e Gabriella Vitória Bordoni Leite dos Santos, com orientação de Caroline Bordalo e Valena Ramos, o periódico Diário de Classe é uma revista virtual de humanidades, totalmente escrita por alunos de ensino médio e direcionada a estes. Assim, a ideia de criação do projeto parte da análise de certos mecanismos sociais: a hierarquização da relação aluno-professor; a desvalorização de produções do ensino básico e das ciências humanas em espaços científicos bem como a importância da divulgação científica para a democracia. A constatação das estruturas citadas nos leva ao desejo de construir um projeto que as criticasse, não de forma momentânea, mas atuando como um mecanismo constante de questionamento.

Neste sentido, há a percepção de que alunos são passivos no processo de aprendizagem e não são agentes do conhecimento – compreensão que pode ser questionada a partir de um evento norteador do projeto: as ocupações de escolas públicas que ocorreram nos anos de 2015 e 2016. A gerência de escolas, da limpeza às aulas de preparação para o vestibular, foi inteiramente realizada por alunos de ensino médio e, assim, expôs a autonomia e protagonismo destes estudantes como agentes no ambiente escolar. As ocupações foram um alerta, sinalizando a urgência de transformação no nosso sistema de educação tão hierárquico. O protagonismo representado por estes alunos, entretanto, não se trata de um protagonismo individualista, meritocrático e que acontecerá independente das condições de ensino e aprendizagem. Ao contrário, observamos uma dinâmica rica no contexto escolar, repleta de trocas que envolvem todas as formas de expressão, desde as mais restritas ao campo científico até produções artísticas. Essa complexidade que nos foi apresentada é o que nos torna humanos, curiosos, criativos e produtores de ciência, e é a matéria-prima do nosso projeto.

Por outro lado, há de se questionar também a desvalorização do ensino básico frente a ciência produzida por outros segmentos, como graduação ou pós-graduação. Se a ciência é produto de um trabalho coletivo, precisamos reconhecer como isso se estrutura ao longo dos anos de ensino fundamental e médio, e reconhecer os momentos de produção e compartilhamento coletivo – assim, não cabe enfatizar uma ideia de protagonismo segmentado e concentrado em um dos níveis de escolaridade. Ao retomar o feito das ocupações, percebemos como esta apontou o aspecto que enfatizamos – o fazer coletivo, criar o que é comum – que não é simples, sabemos, mas é o que melhor representa a diversidade humana, suas contradições, conflitos e, principalmente, a multiplicidade de horizontes que podemos construir. Nada é mais caro à ciência do que pensar probabilidades, ainda mais em um mundo que parece estar em vias de sucumbir diante de tanta exploração de recursos naturais e naturalização de desigualdades e violência. Nosso projeto se propõe a ser uma peça desse quebra cabeça que um dia poderá ser um mundo menos desigual em todos os aspectos, incluindo o do acesso à ciência.

O evento que norteou os projetos foram as ocupações de escolas públicas que ocorreram nos anos de 2015 e 2016 | Divulgação

Desta forma, podemos partir para uma compreensão fundamental para o embasamento do projeto: não há democracia sem que o fazer coletivo da ciência seja capaz de alcançar a sociedade. Para que a revista Diário de Classe seja um mecanismo propulsor de todos os questionamentos que apresentamos anteriormente, é preciso também que assumamos o papel de fazer com as produções acadêmicas e artísticas de alunos secundaristas cheguem às pessoas de forma ampla, e, então, permita uma transformação real do cenário de estranhamento e descontentamento que há na relação da educação secundária no Brasil. Dito isto, pensamos num caminho para que os alunos pudessem expor e falar sobre seus trabalhos, suas reflexões enquanto estudantes e suas contribuições para a ciência. Certamente trabalhar com divulgação científica e, simultaneamente, buscar romper com aspectos sociais estruturais são grandes desafios do projeto. Apesar disso, sabemos que nosso trabalho não representa a solução para todos os problemas constatados, mas sim um instrumento de fomento para novas compreensões. Neste projeto, os desafios e as descobertas se fazem na mesma intensidade e proporção. Para nós, alunos, este trabalho permitiu nossa própria descoberta enquanto produtores de conhecimento e assim como percebemos em secundaristas que entram em contato com o projeto. É possível perceber o poder de transformação da educação e do conhecimento conforme a Revista Diário de Classe alcança progressivamente mais pessoas.

Em consonância com esta última afirmação, a experiência em feiras de ciências e especialmente na FEBRACE nos permitiu uma experiência espetacular. As feiras científicas representam o que a Diário de Classe mais acredita: o compartilhamento de conhecimento e a possibilidade de aprender com o outro – no caso da FEBRACE, com outros que podemos nos identificar, estudantes secundaristas. Produzir ciência, ainda mais na esfera pública, requer um comprometimento e um querer que superam a ideia de benefício e retorno meramente individual. A experiência que as feiras oferecem para um estudante são incomparáveis, sendo assim, busque nos sites as edições antigas. Será uma forma de compreender o funcionamento da feira em questão e melhorar o resultado da sua participação. Feiras como a FEBRACE são um momento quase mágico, cercado de ideias nova e gente engajada que nos estimula ainda mais a seguir nos processos de descoberta e criação. Então, diríamos para que extraiam ao máximo tudo que possa contribuir para colocar suas ideias e sonhos em prática, que sejam generosos e compartilhem tudo que possa acrescentar para outros projetos, que exercitem sua curiosidade (são muitos projetos incríveis!) e que façam amigos, porque também aprendemos quando estabelecemos lações de afeto e solidariedade em prol de uma sociedade melhor. A realização da FEBRACE 2021 no formato on-line, em plena pandemia, demonstra o quanto é fundamental o engajamento coletivo na promoção do fazer científico. Contamos com uma organização impecável e temos completa noção de que o compromisso de muitas pessoas foi necessário para que pudéssemos nos apresentar e aprender tanto. A FEBRACE 2021 foi uma experiência inesquecível e inspiradora.

*A divulgação desse artigo sobre a educação democrática na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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