Tratamento da asma: jovem desenvolve projeto com princípios da fitoterapia

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Existem no mundo 339 milhões de pessoas com asma, segundo um levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2016. Por ser uma doença que afeta parte da população, uma jovem resolveu desenvolver um projeto para auxiliar o tratamento da asma.

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Tratamento da asma 

A ideia do projeto surgiu da experiência de vida da própria aluna. Por ser asmática, ela se interessou em ajudar outras pessoas acometidas pela doença, envolvendo-se com o tema em seus primeiros dias de pesquisa.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Trabalho iniciado em 2017 busca auxiliar o tratamento da asma | Divulgação

“Cultivo da Mikania laevigata in vitro”

*Por Lara Johnsen Villas Bôas Stefani
*Coordenado por Carolina Lavini Ramos Morais e Luciana Saraiva Filippos
*Parceria com Prof. Dr. Igor Cesarino e Profa. Marcella Simões

O projeto “Cultivo da Mikania laevigata in vitro: buscando maiores teores de cumarina para tratamento da asma” é desenvolvido pela aluna Lara Johnsen Villas Bôas Stefani, no Programa Cientista Aprendiz do Colégio Dante Alighieri, localizado em São Paulo, capital. A aluna é orientada pelas professoras Carolina Lavini Ramos Morais e Luciana Saraiva Filippos, além de ter parceria com os Cientistas qualificados Prof. Dr. Igor Cesarino e Profa. Marcella Simões, do Lignin Lab, localizado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo – USP.

A ideia do projeto surgiu da experiência de vida da própria aluna. Por ser asmática, ela se interessou em ajudar outras pessoas acometidas pela doença, envolvendo-se com o tema em seus primeiros dias de pesquisa. Segundo levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (2016), existem no mundo 339 milhões de asmáticos, sendo que 148 mil faleceram em decorrência da doença. Esses dados fizeram com que a aluna se sentisse envolvida e responsável por ajudar a mudar a realidade de quem sofre com a doença.

Com essa temática de projeto, dedicou-se em 2017 à pesquisa da asma e os tratamentos disponíveis, e foi assim que conheceu e se interessou pela fitoterapia, que utiliza substâncias relacionadas à produção metabólica vegetal com ação medicinal. Ao apresentar a pesquisa no Simpósio de Pré-Iniciação Científica do Programa Cientista Aprendiz de sua escola, pôde conversar com profissionais da área, e professores da banca de avaliação sugeriram que a aluna pesquisasse sobre a planta Guaco, que produz as cumarinas, que são metabólitos secundários com potencial medicinal. Desta maneira, as pesquisas continuaram e, em 2018, foi definido trabalhar com a espécie de Guaco Mikania laevigata, e mudas da planta foram doadas pelo Prof. Dr Ílio Montanari Jr. da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. A partir disso e visando melhorar a qualidade de vida dos asmáticos, a questão-problema foi estabelecida: como tornar a fabricação dos tratamentos disponíveis com Guaco um processo mais econômico, acessível, eficiente e sustentável às pessoas com asma?

Desta maneira, o projeto tem como objetivo aumentar as taxas de cumarina produzidas pelo Guaco em condições laboratoriais controladas. A ideia é desenvolver um protocolo de cultivo in vitro que possibilite que as futuras mudas de Guaco produzam mais cumarinas, e que depois possam ser transferidas para o meio externo. Assim, desde o final de 2018 até o início de 2020, a aluna se dedicou a realizar testes para padronizar um protocolo de cultivo in vitro do Guaco. Os primeiros experimentos foram realizados nas dependências da escola, e depois continuaram no Lignin Lab com os cientistas qualificados. Com a execução de sete experimentos até o primeiro trimestre de 2020, a estabilidade das culturas têm sido um grande desafio. A escassez de referências bibliográficas sobre o cultivo in vitro da espécie é um empecilho para a equipe seguir com as seguintes etapas metodológicas: desenvolvimento de protocolo de cultivo laboratorial autoral para otimizar produção cumarínica; transferência da planta para cultivo em ambiente externo; avaliação das taxas de cumarina obtidas.

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Projeto tem como objetivo aumentar as taxas de cumarina produzidas pelo Guaco em condições laboratoriais controladas | Divulgação

Primeiramente, a técnica de micropropagação foi testada em quatro diferentes protocolos, sendo apenas dois deles específicos para a espécie estudada. No entanto, os resultados não foram satisfatórios e as culturas se oxidaram e/ou necrosaram. Assim, partimos para o uso de outra técnica, a Calogênese. Foram obtidas massas celulares no primeiro experimento, e ele foi repetido e otimizado em mais dois testes. Apesar de termos conseguido fazer com que os calos se desenvolvessem a partir de explantes foliares e se mantivessem vivos no meio de cultura por até 10 meses, nos deparamos com um novo desafio: as massas celulares formadas eram rígidas e algumas oxidaram, não possibilitando seguirmos com as etapas futuras. Além disso, a pandemia fez com que não pudéssemos seguir mais com as etapas laboratoriais. Então, por enquanto, temos estudado novas possibilidades para melhorarmos a friabilidade dos calos dos experimentos futuros.Apesar das dificuldades, as amostras apresentaram baixas taxas de contaminação dos meios de cultura, que prosseguem diminuindo a cada experimento, tornando-se um obstáculo superado. Ainda sim, vale ressaltar que o apoio e orientação foram essenciais para fortalecer essa trajetória, e desistir nunca foi uma opção, por mais que tudo parecesse inviável.

Simultaneamente, habilidades como a escrita de relatórios, estudo e aplicação do método científico, além da elaboração e aplicação de metodologias sempre acompanhou o processo nesses 5 anos de projeto, melhorando e adaptando-as à medida que avançam, sendo essa uma conquista valiosa. Ademais, a oportunidade de frequentar um laboratório universitário e conversar com cientistas qualificados conferiu rica experiência, imersão e aprendizados tanto sobre a nova técnica desenvolvida, quanto pessoal e para a carreira profissional acadêmica de interesse da Lara, que aprende todos os dias com os experimentos, conversas e vivência prática num ambiente privilegiado. Também foram aproveitadas oportunidades para participar e apresentar o projeto em Feiras de Pré-Inicação Científica Nacionais e Internacionais. A interação em eventos científicos é indispensável, e permitiu ampliar perspectivas tanto pessoais quanto acadêmicas, o que fez-se marcante para valorizar essa experiência de fazer um projeto de pré-iniciação científica.

Participar da FEBRACE foi uma oportunidade para conhecer projetos, histórias e pessoas dedicadas e comprometidas à ciência na pluralidade brasileira, e principalmente, reforçar a importância e necessidade que todos temos da ciência, além do potencial e talento de diversos jovens cientistas no país. No processo de seleção por ampla concorrência, a ansiedade pelos resultados foi uma realidade, já que foi a primeira vez que a aluna participou dessa feira tão importante e singular. Ter a chance de ter uma troca e conversa ao vivo com os avaliadores foi muito gratificante e proveitoso, o que certamente adicionou muito ao projeto, além de incentivar os próximos passos.

Em vista disso, Lara apontou: “aconselho a qualquer pessoa que tenha interesse em participar de feiras a aproveitar cada segundo da oportunidade de diálogo, contato e divulgação científica, e ser mente aberta para as possibilidades. São eventos que nos transformam e marcam nossa trajetória como pequenos pesquisadores até onde queremos chegar. Deem o seu melhor, haja o que houver e não arrependam-se de tentar. Finalista ou não, dificuldades surgirão de diversas maneiras, porque fazer ciência implica também em ter que enfrentar diversos desafios. Por isso é tão emocionante. Não desistir do que vocês fazem e muito menos de vocês mesmos é o primeiro passo. O amor nos leva além de nossos próprios limites, mesmo que algumas circunstâncias sejam difíceis de lidar. Não percam essa certeza. Sejam vocês mesmos e permitam-se voar. Façam valer a pena.”

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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