Projeto escolar desenvolve telha ecológica à base do bagaço e palha da cana-de-açúcar

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Segundo um levantamento realizado, as usinas sucroalcoleiras da região de Ribeirão Preto, em São Paulo, produzem cerca de 60% de todo o açúcar e etanol do país. Essas usinas utilizam até 90% do bagaço da cana para a produção de energia, mas, ainda sim, existe um excedente que não é utilizado, acarretando a poluição ambiental e problemas com a estocagem. Levando isso em consideração, um grupo escolar decidiu desenvolver uma telha ecológica à base do bagaço e palha da cana-de-açúcar.

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Telha ecológica

A ideia do projeto de telha ecológica surgiu por meio de uma atividade de percepção, no qual foi observado que em torno da escola existe uma comunidade carente, causada pela onda migratória estimulada pela cultura canavieira da região.

A partir daí, notou-se a falta de infraestrutura nessas moradias, construídas com materiais pouco duráveis, muitas vezes improvisados como paredes de madeira, teto de telhas pouco resistentes ou cobertura de plástico lona. Foi então que o que o projeto de telha ecológica foi idealizado, afim de construir um material sustentável, de baixo custo e resistente, que suprisse a necessidade desses moradores.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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O trabalho que desenvolveu a telha ecológica tinha como objetivo solucionar um problema local | Divulgação

“Telha à base do bagaço e palha da cana-de-açúcar”

*Por Leonardo Santos Rendeiro Palheta
*Coordenado por Marília Aliarde e Bruno Vicente Moraes

A ideia do projeto Eco Telha surgiu através de uma atividade de percepção sugerida pela orientadora, no qual foi observado que em torno de nossa escola existe uma comunidade carente, causada pela onda migratória estimulada pela cultura canavieira da região, que é a maior produtora de açúcar e etanol do mundo, o município de Ribeirão Preto- SP é considerada, pela imprensa como “Califórnia Brasileira”, relacionado a riquezas vindas do agronegócios, no entanto a cidade experimentou um aumento acentuado no número de comunidades e desemprego. O município não conseguiu criar oportunidades de acompanhando o crescimento da população.

Notou-se a falta de infraestrutura nessas moradias, construídas com materiais pouco duráveis, muitas vezes improvisados como paredes de madeira, teto de telhas pouco resistentes ou cobertura de plástico lona, colocando em risco a vida das pessoas em períodos de chuvas e fortes temporais. Foi então que decidiu-se construir um material sustentável, de baixo custo e resistente, que suprisse a necessidade desses moradores.

Através da pesquisa bibliográfica, deparou-se com um dado importante, as usinas sucroalcoleiras da região produzem cerca de 60% de todo o açúcar e etanol do país, entretanto, surge uma problemática com os subprodutos dessa planta: o bagaço e a palha da cana-de-açúcar. A usinas que produzem açúcar e etanol utilizam até 90% do bagaço da cana para a produção de energia, mas, ainda sim, existe um excedente que não é utilizado, acarretando poluição ambiental e problemas com a estocagem. Além do bagaço, um outro subproduto produzido na colheita mecanizada é a palha da cana-de-açúcar, que geralmente é deixada no campo. Como a colheita acontece em períodos de estiagem, ocasiona a queima acidental ou criminal dessa palha produzindo altos índices de poluição, atingindo vegetação em área de preservação ambiental.

Neste sentindo, se faz necessário o desenvolvimento de materiais alternativos, foi assim que se construiu-se uma telha utilizando o bagaço e a palha da cana-de-açúcar pensando em soluções sustentáveis, para minimizar também esses impactos ambientais.

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E telha ecológica é produzida a partir do bagaço e palha da da cana-de-açúcar | Divulgação

Um dos maiores desafios para construção da Eco Telha, foi encontrar uma substância que pudesse dar liga e a mesmo tempo fazer com que a telha se tornasse impermeável, realizou-se tentativas de se obter um acetato de celulose, através do canudo plástico, pensando em uma solução sustentável, no entanto, realizou-se o teste com a acetona comum, comercializada livremente e não obteve um bom resultado devido à baixa porcentagem de acetona em sua composição, buscou-se outra estratégia: a utilização da acetona PA, porém, constatou-se que existe uma grande restrição na sua comercialização.

Retornou-se as de pesquisas, encontrou-se que poliuretano vegetal de mamona poderia ser uma boa opção devido ao baixo custo e sustentável, realizou-se a mistura do poliuretano vegetal da mamona e do bagaço e palha da cana-de-açúcar triturados e observou-se que a amostra resultante possuía boa consistência e rigidez, não apresentou retração volumétrica.

As maiores descobertas foram através dos resultados dos ensaios, no qual um carro de aproximadamente 1.100 kg passou sobre a telha e não sofreu deformações, comprovando seu potencial e resistência.

A FEBRACE é um sonho que jamais imaginamos realizá-lo mesmo após o desenvolvimento do projeto, é uma experiência única. Saber que o projeto está sendo reconhecido por grandes avaliadores e que todo esforço, estudo e pesquisa valeram a pena é muito gratificante.

Muitas portas estão se abrindo após a FEBRACE e a dica que deixamos é de que não deixem de acreditar em um mundo melhor, e só através do estudo e da ciência que mudamos nossas vidas e mudamos vidas!

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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