Projeto visa auxiliar no diagnóstico de doenças neurodegenerativas com tecnologias vestíveis

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As doenças neurodegenerativas serão, em uma década, as doenças que mais deterioram a qualidade de vida de indivíduos com mais de 65 anos. Os principais sintomas estarão relacionados ao movimento do indivíduo, de forma que as atividades de vida diária serão prejudicadas, tais como a escrita ou o manuseio de talheres. Paralelo a isso, o uso de tecnologias vestíveis estão em crescente uso e são apontados como uma tendência para auxiliar nesse problema.

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Tecnologias vestíveis

Os dispositivos vestíveis estão cada vez mais integrados ao cotidiano dos consumidores, incluindo indivíduos saudáveis, idosos e pessoas com doenças crônicas. As tecnologias vestíveis podem ser definidas como os smartwatches, também chamados de relógios inteligentes, mas podem ser encontrados também em pulseiras, anéis, peças de roupa, capacetes, óculos, etc.

Levando isso em consideração, o trabalho tem como objetivo apresentar um protótipo de sistema integrado que auxilie em todo o processo de diagnóstico e prognóstico da doença, sendo capaz de coletar e exibir dados de movimentos da mão humana.

Esse sistema, composto por hardware e software, almeja ser de baixo custo e capaz de coletar os movimentos da mão do indivíduo, e transmiti-los a um terminal de consulta do profissional da saúde, de forma a fornecer relatórios e gráficos que traduzem os movimentos realizados pelo paciente por meio de um painel de controle interativo.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

Tecnologias-vestíveis
As tecnologias vestíveis podem ser definidas como os smartwatches, também chamados de relógios inteligentes | Divulgação

“Estratégia para medicina com foco na doença de parkinson”

*Por Wanghley Soares Martins
*Coordenado por Fábio Henrique Monteiro Oliveira

De onde surgiu a ideia do projeto?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças neurodegenerativas serão, em uma década, as doenças que mais deterioram a qualidade de vida de indivíduos com mais de 65 anos. Os principais sintomas estão relacionados ao movimento do indivíduo, de forma que as atividades de vida diária são prejudicadas, tais como a escrita ou o manuseio de talheres. Paralelo ao mencionado, o uso de tecnologias vestíveis, os chamados wearables, estão em crescente uso e é apontado como uma tendência mundial. Esses dispositivos vestíveis estão cada vez mais integrados ao cotidiano dos consumidores, incluindo indivíduos saudáveis, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Atualmente, o diagnóstico e o prognóstico de doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson (DP), são realizados por meio da observação de um neurologista apoiado por instrumentos subjetivos e, em grande parte dos casos, sem o uso de sistemas computacionais especialistas. Entre os sintomas mais comuns da DP está o tremor de repouso, que se manifesta nas extremidades periféricas do corpo, como as mãos. Nesse sentido e pensando em testes preliminares, este trabalho surge com o objetivo de apresentar um protótipo de sistema ponta-a-ponta, isto é, um sistema integrado que auxilie em todo o processo de diagnóstico e prognóstico da doença, sendo capaz de coletar e exibir dados de movimentos da mão humana. Esse sistema, composto por hardware e software, almeja ser de baixo custo e capaz de coletar os movimentos da mão do indivíduo, e transmiti-los a um terminal de consulta do profissional da saúde. De forma a fornecer relatórios e gráficos que traduzem os movimentos realizados pelo paciente por meio de um painel de controle interativo.

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Projeto busca fornecer relatórios e gráficos que traduzem os movimentos realizados pelo paciente por meio de um painel de controle interativo | Divulgação

Quais foram os maiores desafios?
Dessa forma, foi desenvolvido e adaptado todo um protocolo de coleta, tratamento, processamento e visualização de dados por meio de: (I) hardware capaz de coletar os dados inerciais que representam o movimento humano; e (II) software capaz de receber – wireless – as informações coletadas, processá-las e gerar visualização simples para quaisquer profissionais compreenderem. Durante o processo de pesquisa, ainda mais no cenário de pandemia, foi cercado por desafios em múltiplas esferas. Em primeiro lugar, o processamento de dados que possam representar o movimento humano é extremamente complexo, uma vez que são necessárias inúmeras técnicas para transformá-los em informações entendíveis e esta foi uma das maiores dificuldades neste projeto de pesquisa. Por ser necessário um conhecimento prévio muito específico em alguns aspectos matemáticos – principalmente estatística – foi um desafio ter que aprender e aplicar este know-how já em uma pesquisa e, ainda mais, em uma área tão específica como o processamento digital de sinais. Além disso, os próprios testes do protótipo com pessoas que possuem a doença de Parkinson (Parkinsonianos) foi adiado pelo caráter da pandemia pois, grande parte dos parkinsonianos possuem mais de 65 anos o que inviabilizou testes iniciais durante o desenvolvimento do presente projeto.

Quais foram as maiores descobertas?
Durante o processo de pesquisa, foi possível delimitar e desenvolver um sistema integrado – literalmente de ponta-a-ponta – para auxiliar no processo de diagnóstico e acompanhamento da evolução de doenças neurodegenerativas, principalmente a DP. Por se tratar de um projeto de engenharia biomédica, foi possível delimitar protocolos e padrões, com base na literatura, que podem ser seguidos com o uso do sistema, auxiliando de forma efetiva no diagnóstico da DP e, além disso, há a possibilidade do sistema ser empregado na avaliação de outras desordens neuromotoras que afetem o movimento do indivíduo acometido.

Como foi participar da FEBRACE?
Participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) 2021 foi uma experiência ímpar uma vez que após um ano de trabalho incansável – mesmo durante a pandemia – tive a oportunidade de mostrar e apresentar a evolução no campo da engenharia biomédica em caráter nacional e internacional. Na FEBRACE foi possível conhecer pessoas jovens que, assim como eu, acreditam e trabalham demasiado na construção de soluções para problemas do mundo real por meio da ciência, tecnologia e engenharia. Além disso, apresentar a nossa pesquisa para uma banca de jurados foi algo enriquecedor não somente pelos prêmios conquistados, mas também pelos comentários e sugestões dos avaliadores que agregaram e muito na continuidade da pesquisa com pontos a melhorar que eu não havia identificado.

Quais dicas daria para quem quer participar de uma feira de ciências?
Em suma, para aqueles que têm interesse em participar de feiras de ciências assim como a FEBRACE minha maior dica – na realidade conselho – é desenvolver o seu projeto, a sua pesquisa não para ser melhor que qualquer um, mas para resolver um problema real com seriedade. Premiações e reconhecimento são apenas parte do resultado de um trabalho executado com amor e seriedade. Vale ressaltar, ainda, que o mais importante das feiras de ciências não é somente a apresentação da sua pesquisa, mas as pessoas e os demais projetos que se pode conhecer e até mesmo se conectar.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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