Saúde mental dos estudantes: pesquisa aponta dificuldades dos jovens durante a pandemia

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Desde o início da pandemia, ocasionada pela covid-19, pessoas de todo mundo estão lidando com as angústias provocadas pelo isolamento social. Segundo uma pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito em 2020. Tamanha expressividade nesses números ascende o sinal de alerta para a futura geração, ou seja, a saúde mental dos estudantes.

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Saúde mental dos estudantes

Foi levando esses dados como esse em consideração que surgiu o projeto “O Impacto do Ensino a Distância Sobre a Saúde Mental Durante o Período de Isolamento Social”. A consolidação da pesquisa surgiu após algumas conversas que chegavam sempre a um mesmo desfecho: os problemas ocasionados pela pandemia na saúde mental dos estudantes.

O projeto buscou estudar e levantar dados de alunos do ensino médio das escolas particulares de São Caetano do Sul, em São Paulo. Durante o trabalho foi possível chegar a um número expressivo e preocupante: 83% do grupo alvo sentiu que sua saúde mental foi afetada de um nível considerável a extremo no período de isolamento.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Pesquisa de campo apontou que 83% dos alunos tiveram sua saúde mental afetada de um nível considerável a extremo | Divulgação

“O Impacto do Ensino a Distância Sobre a Saúde Mental”

*Por Laura Zamora, Marina Lazari e Sabrina Shimizu
*Coordenado por Francinni Silva e Flávio Henrique Fouto

O projeto “O Impacto do Ensino a Distância Sobre a Saúde Mental Durante o Período de Isolamento Social”, das autoras Laura Zamora, Marina Lazari e Sabrina Shimizu, sob a orientação de Profª Francinni Silva e Prof. Flávio Henrique Fouto, foi premiado na FEBRACE 2021, na categoria Humanas.

A consolidação da ideia de adotar o tema para nossa pesquisa científica ocorreu após várias conversas com colegas, que passavam pelas mesmas dificuldades que nós. A partir dessas discussões, percebemos a importância de uma pesquisa formal e planejada sobre um assunto tão sério. Aproveitando o interesse em psicologia e pedagogia, abraçou-se o tema, delimitando-o aos alunos de ensino médio de escolas particulares de São Caetano do Sul (SP).

No decorrer do projeto, foi preciso enfrentar dois principais desafios: a dificuldade de estudar os impactos da pandemia enquanto aprendíamos a lidar com esses e a falta de estudos prévios sobre o assunto. Como o trabalho teve início em meados de maio, todos estávamos no processo de adaptação ao estilo remoto. Por conta disso, além da dificuldade de repensar nosso método usual de trabalho em conjunto, sentimos a responsabilidade de produzir um estudo pioneiro, com nossa própria coleta de dados, em um momento de cansaço mental.

No entanto, com muito empenho e determinação, tendo sempre em mente sua importância social de dar voz às dificuldades dos alunos, a pesquisa foi um sucesso. Com ela, descobrimos os principais causadores do impacto estudado – a quebra repentina da rotina, a dificuldade de se diferenciar o ambiente de estudos do de lazer e os sentimentos causados diretamente pela pandemia do coronavírus, como o luto – e pudemos observar, por meio da pesquisa de campo que contou com 242 alunos do nosso grupo alvo, que a enorme maioria deles (83%) sentiu que sua saúde mental foi afetada de um nível considerável a extremo, e também que suas dificuldades pré-existentes foram agravadas durante o ensino remoto. Da mesma forma, levantamos que os fatores que mais afetam esse grupo são a dificuldade de concentração, a ansiedade e o desânimo. Analisando as principais variáveis envolvidas, concluímos que, se existe um atenuante no impacto do ensino remoto na estabilidade do aprendizado e da saúde mental, esse deverá ser uma combinação de esforços entre o estudante, sua família e a escola.

Participar da FEBRACE foi uma experiência única e enriquecedora, somos muito gratas pela oportunidade. Na feira, expomos nossas descobertas a bancas de profissionais da educação, das mais diversas áreas, que nos propuseram reflexões e sugestões, todas contribuições importantíssimas para esse projeto e os que virão a seguir. Além disso, não há nada mais gratificante do que poder compartilhar os resultados do nosso trabalho com o mundo: a ciência deve ser disseminada e incentivada para que cumpra seu propósito.

Acreditamos que nosso gosto pelo assunto e vontade assídua de melhorar a situação para os estudantes nos levou a realizar a pesquisa de forma muito mais leve. Nossa sugestão àqueles interessados em participar de uma feira de ciências é: sigam seus corações! O mais importante na hora de escolher um tema para o seu projeto é certificar-se de que ele está de acordo com seus interesses. Lembre-se sempre que a ciência está por todas as partes; as escolhas são ilimitadas e o resultado depende apenas do seu comprometimento e esforço.

Por fim, esperamos que nossa experiência sirva de inspiração para que cada vez mais jovens contribuam para a valorização da tão importante ciência nacional.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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