Reciclagem de alimentos: grupo cria farinha nutritiva com cascas de legumes

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Já se questionou da quantidade de alimentos que desperdiçamos diariamente? De acordo com uma pesquisa realizada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), cada família brasileira descarta, aproximadamente, 128,8 kg de alimentos por ano. Esse número coloca o Brasil entre os países que mais desperdiçam comida no mundo. Já que falamos tanto em reaproveitamento, levando esses levantamentos em consideração, não seria uma boa alternativa investir em reciclagem de alimentos?

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Reciclagem de alimentos

Colocando em uma balança a quantidade de alimentos que desperdiçamos é uma tanto quanto irresponsável, tendo em vista que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 22,26% da população brasileira sofre com a insegurança alimentar.

Foi considerando esses números que um grupo resolveu entender mais sobre a reciclagem de alimentos e estudar formas de reaproveitar as cascas de legumes descartas nas residências domiciliares de maneira fácil para a população replicar em casa e ter assim uma alimentação mais rica em nutrientes.

Para chegar no resultado satisfatório sobre a reciclagem de alimentos, o grupo se inspirou em alguns artigos científicos que falavam sobre a produção de farinha com resíduos orgânicos e inorgânicos como as cascas de ovos. A partir daí, os jovens recolheram cascas de legumes em algumas residências, levaram para o laboratório da escola, onde foram higienizadas, selecionadas, desidratadas e processadas, para, enfim, chegar a farinha Multinutri feita a partir de cascas de legumes.

Quer conferir mais sobre o projeto de reciclagem de alimentos? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Para chegar no resultado satisfatório sobre a reciclagem de alimentos, o grupo se inspirou em alguns artigos científicos | Divulgação

“Farinha produzida a partir de cascas de legumes”

*Por Eloísa Pereira Torres e Maria Eduarda Nunes dos Santos
*Coordenado por Eduardo Adelino Ferreira

Participamos de um projeto chamado Laboratório de Iniciação Científica – LIC, este projeto é extraclasse que a Escola SESI oferece aos estudantes. No LIC somos instigadas a desenvolver projetos de pesquisas que solucionem ou minimizem problemas da nossa comunidade, utilizando o método científico ou de engenharia para alcançar os objetivos.
No projeto LIC temos aulas de método científico, laboratoriais e alguns desafios para compor o plano de pesquisa. Em um desafio lançado no primeiro trimestre do ano de 2020, logo após a notícia do fechamento da escola devido a pandemia do COVID-19, elaboramos uma charge para apresentar a problemática do nosso projeto.

Observamos que as cascas de frutas, legumes e verduras consumidas em casa eram descartadas no lixo. Isto nos causou inquietação, uma vez que esses resíduos possuem nutrientes importantes e necessários para a alimentação humana e para o tratamento de pessoas com doenças cardiovasculares, que é o caso da avó de Eloísa Torres, uma das autoras do presente projeto. Movidas pela curiosidade realizamos pesquisas na rede de internet e constatamos pelos artigos lidos, que a dieta de uma pessoa hipertensa é restrita e muitos nutrientes presentes nas cascas de legumes poderiam auxilia-la para uma melhor qualidade de vida.

Começamos a nossa caminhada nos questionando: como reaproveitar as cascas de legumes descartas nas residências domiciliares de maneira fácil para a população replicar em casa e ter assim uma alimentação mais rica em nutrientes? Nos inspiramos em alguns artigos científicos que falam sobre a produção de farinha com resíduos orgânicos e inorgânicos como as cascas de ovos. Recolhemos cascas de legumes em três residências, levamos para o laboratório da escola, onde foram higienizadas, selecionadas, desidratadas e processadas, obtivemos assim, a farinha Multinutri feita a partir de cascas de legumes.

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As formulações alcançaram médias acima de 70% | Divulgação

Os desafios foram inúmeros, a contar pelo contexto de pandemia que estamos vivendo, mas destacamos outros, por exemplo, a limitação de utensílios e materiais laboratoriais para a produção e análise da farinha multinutri. Nos adaptamos com o que tínhamos e a pesquisa fluiu. Inicialmente, pensou-se em uma receita de pão com a farinha de resíduos de legumes, porém, pela falta de um forno elétrico, foi preciso mudar a receita para um bolo de caneca, que poderia ser feita em um forno micro-ondas. A análise físico- química é outro desafio que ainda enfrentamos, por necessitar de parceiros e estrutura específica para sua realização, porém, acreditamos que em breve seja uma dificuldade vencida.

O que mais nos surpreendeu, em relação ao projeto, foram os resultados alcançados, pois, não esperávamos um índice tão positivo de aceitabilidade da farinha multinutri, as formulações alcançaram médias acima de 70%. Os índices de satisfação dos quesitos sabor e da textura do bolo de caneca enriquecido com a farinha de cascas de legumes, nos surpreendeu, pois, foram altos, segundo o teste sensorial que aplicamos a grupo de 10 pessoas, os dados ainda foram analisados estatisticamente por meio do método ANOVA.

Ao receber a notícia que éramos finalistas da FEBRACE, ficamos felizes por estarmos recebendo o reconhecimento do nosso trabalho. Semanas antes das apresentações a ansiedade foi gigantesca, sempre comentávamos, tentando imaginar como seria, e ao participar vimos que tudo era muito melhor do que tínhamos sonhado. As pontuações dos avaliadores foram um ponto crucial para obtermos outra perspectiva do nosso projeto, e buscar inová-lo cada vez mais. O prêmio Destaque Unidades da Federação – Paraíba concedido ao nosso projeto foi uma surpresa para nós, nos atingiu de forma totalmente positiva, nos motivando a continuar pesquisando e aperfeiçoando o projeto. Agora buscamos parcerias para realização do teste físico-químico do nosso produto.

Para os futuros cientistas participantes das próximas edições da FEBRACE, deixamos aqui, primeiro de tudo, o nosso exemplo de motivação e persistência. Ao apresentar seu projeto, foque bastante em passar para os avaliadores a sua satisfação e gratidão de estar participando de uma Feira Nacional, saiba que ninguém mais conhece seu projeto do que você mesmo. Esse é o seu momento de tentar tornar o mundo um lugar melhor.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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