Química verde: projeto desenvolve insumos sustentáveis para o aumento da qualidade agrícola

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Investir em práticas sustentáveis há alguns anos tem se tornado um bom caminho pensando a curto, médio e longo prazo. No caso da química verde – ciência relacionada ao meio ambiente que tem como conceito de que os elementos químicos não podem degradar a natureza – por exemplo, é uma forma funcional para introduzir novas práticas e mais responsáveis ao setor.

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Química verde

Foi buscando alternativas para os problemas que cercavam o cotidiano, que duas jovens resolveram questionar se seria possível o desenvolvimento de uma tecnologia alternativa a esses insumos que aumentasse a produtividade agrícola, mas também utilizasse de matérias-primas alinhadas aos princípios da sustentabilidade e da química verde, sendo sobretudo acessíveis para os agricultores de pequeno e médio porte.

Assim, com intuito de democratizar o acesso a essas inovações, as estudantes desenvolveram um revestimento de sementes que utiliza a biomassa microalgal e o biopolímero de amido de mandioca como insumos renováveis e sustentáveis para o aumento da produtividade e qualidade de culturas agrícolas.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

Química-verde
Grupo cria revestimento de sementes que utiliza a biomassa microalgal e ao biopolímero de amido de mandioca como insumos renováveis e sustentáveis para o aumento da produtividade e qualidade de culturas agrícolas | Divulgação

“Qualidade agrícola por meio de matérias-primas sustentáveis”

*Por Nicole Melo de Almeida e Yasmin Barreto Teles Fonseca
*Coordenado por Fernando Leal Barreiros Moutinho e Jamile da Cruz Caldas

De onde surgiu a ideia do projeto?
Quando entramos no programa de iniciação científica em Tecnologias Verdes da nossa escola, fomos incentivadas a buscar soluções alternativas para os problemas que cercavam o nosso cotidiano. Tendo isso em mente, percebemos que ambas somos adeptas a uma alimentação saudável, uma vez que a Nicole é vegana e a Yasmin cultiva uma horta orgânica em casa. No entanto, a realidade da agricultura no nosso país tornava cada vez mais difícil a manutenção desse estilo de vida, visto que o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos vem crescendo exponencialmente, e juntamente com eles, os problemas no meio ambiente e na nossa saúde.

Diante dessa realidade, começamos a questionar se seria possível o desenvolvimento de uma tecnologia alternativa a esses insumos que aumentasse a produtividade agrícola, mas também utilizasse de matérias-primas alinhadas aos princípios da sustentabilidade e da química verde, sendo sobretudo acessíveis para os agricultores de pequeno e médio porte. Isso porque boa parte das tecnologias verdes e sustentáveis presentes na agricultura, apresentam um alto custo associado. Assim, com intuito de democratizar o acesso a essas inovações, desenvolvemos um revestimento de sementes que utiliza a biomassa microalgal e ao biopolímero de amido de mandioca como insumos renováveis e sustentáveis para o aumento da produtividade e qualidade de culturas agrícolas.

Quais foram os maiores desafios?
No geral, podemos citar três principais desafios: a técnica do revestimento, o cultivo indoor das plantas e das microalgas. Como não possuíamos instrumentação específica em nosso laboratório para realizar a técnica de revestimento de sementes – aplicada em escala industrial através de betoneiras e tambores rotativos – criamos um novo método para sua aplicação por meio de pinças, revestindo um total de 240 unidades individualmente. Além disso, nosso laboratório não possuía um ambiente para o cultivo das sementes em condições controladas, então construímos uma estufa através da reutilização de canos de PVC e plástico bolha, bem como lâmpadas de LED e timer analógico. Por fim, nós tivemos que adaptar os materiais que tínhamos a nossa disposição para cultivar as microalgas, uma vez que esse processo é majoritariamente realizado em biorreatores industriais que apresentam um alto valor associado. Por isso, confeccionamos nosso próprio fotobiorreator por meio da reutilização de Erlenmeyers e pipetas, bomba de aquário e conectores.

As sementes revestidas apresentaram um aumento de quase 30% na germinação quando comparadas as sementes sem revestimento | Divulgação

Quais foram as maiores descobertas?
Com base nos resultados obtidos, podemos concluir que o revestimento de sementes desenvolvido é uma alternativa promissora ao uso de agrotóxicos e fertilizantes na agricultura pois além de melhorar a produtividade também contribuiu para aumentar a qualidade das culturas de forma sustentável. Isso pode ser evidenciado nos resultados da análise da porcentagem de germinação, na qual as sementes revestidas apresentaram um aumento de quase 30% na germinação quando comparadas as sementes sem revestimento. Da mesma forma, os resultados da análise por cromatografia demonstraram que o revestimento também proporcionou um aumento significativo no teor de compostos bioativos nas culturas, como a exemplo do ácido cafeico, que teve um aumento de seis vezes na sua concentração e apresenta uma série de benefícios para a nossa saúde devido a sua atividade antioxidante, anti-inflamatória e anticancerígena.

Como foi participar da FEBRACE?
Participar da FEBRACE foi muito importante para nossa jornada científica, uma vez que espaços como esse são repletos de conhecimento a ser explorado. Desde os projetos nas mais diversas áreas de conhecimentos, que também procuram contribuir para o futuro da ciência, às contribuições dos avaliadores e pesquisadores, que nos auxiliam a enxergar diferentes perspectivas das nossas próprias ideias. Todo o processo, desde a submissão dos materiais, até as últimas apresentações, faz parte de um crescimento contínuo e constante aprimoração do nosso potencial como alunas e jovens pesquisadoras. Na feira tivemos a oportunidade de perceber que a ciência não deve se tratar de uma hierarquização do conhecimento, mas sim de uma troca de ideias e experiências para a melhoria da nossa sociedade.

Quais dicas você daria para quem quer participar de uma feira de ciências?
Primeiro passo a ser tomado para quem quer participar de uma feira científica é acreditar na sua ideia e no potencial que ela tem para melhorar a vida das pessoas. Depois de acreditar na sua ideia, você tem que fazer o possível para colocar ela em prática e essa talvez possa ser a parte mais difícil, pois vão aparecer inúmeros desafios e cabe a nós enxergar eles como uma oportunidade de encontrar uma solução. Finalizado o desenvolvimento da sua ideia, tente ser seu maior crítico, afinal sempre haverá algo a ser melhorado. Então, nossas três principais dicas são: acredite na sua ideia, supere os desafios e esteja sempre em constante desenvolvimento.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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