Grupo cria placas em braille sustentáveis para garantir o direito à acessibilidade

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Atualmente no Brasil existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, no dia a dia, é fácil perceber que existe ainda pouca acessibilidade a esse grupo. Levando isso em consideração, um grupo de estudantes resolveu desenvolver placas em braille sustentáveis.

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Direito à acessibilidade

A ideia do projeto, segundo os estudantes, a princípio, era apenas disseminar a problemática do não cumprimento das leis de acessibilidade para cegos, analisar e apoiar as pessoas com deficiência visual e enfatizar os direitos que elas têm para, então, trabalhar com a conscientização por meio de palestras e de mesas-redondas.

No entanto, durante essa pesquisa, os jovens perceberam que em várias instituições, tanto privadas quanto públicas, não havia placas em braille que pudessem guiar os deficientes visuais no dia a dia. Após fazer essa conclusão, o grupo resolveu agir.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Grupo desenvolveu o projeto pensando em como seria possível unir acessibilidade e sustentabilidade | Divulgação

“Placas em Braille Sustentáveis”

*Por Eduardo Mamedes Martiniano Monteiro, Jayane Milena Tavares Melo e Jhonata Augusto Silva
*Coordenado por Andrea Silva Souza

De onde surgiu a ideia do projeto?
A ideia do projeto, a princípio, era apenas disseminar a problemática do não cumprimento das leis de acessibilidade para cegos, analisar e apoiar as pessoas com deficiência visual e enfatizar os direitos que elas têm para, então, trabalhar com a conscientização através de palestras e de mesas-redondas.

Para dar início ao projeto, foram feitas várias visitas a instituições, tanto privadas quanto públicas, bem como a Escola de Cegos de Maceió. Lá foi constatado que não havia placas que pudessem guiar os deficientes visuais no dia a dia. Com o aprofundamento da problemática da pesquisa, ficou clara a falta de vários recursos, inclusive as placas em Braille, que pudessem garantir, nos diversos espaços frequentados por esse grupo, o direito à acessibilidade.

Diante desse cenário, a percepção de que muito mais do que palestras para ser feito no trabalho desenvolvido pelo nosso grupo. Assim, iniciou-se a busca por investimento de empresas privadas. Num contexto de baixo custo de investimento, surgiu a necessidade de perquirir maneiras baratas de fabricar as placas em Braille tão necessárias no processo de garantia de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. O resultado não podia ser diferente e a trabalho se completou: a resposta era o uso de matérias recicláveis na fabricação.

Quais foram os maiores desafios?
Apesar de o projeto ter sido desenvolvido de maneira positiva e com grandes progressos, a produção das placas em Braille foi um desafio diante do cenário pandêmico atual de COVID-19. Contudo, a situação foi contornada. Para manter o distanciamento social durante a confecção e a alocação das placas em Braille, a redução do número de pessoas presentes fisicamente no processo foi necessária para o cumprimento das medidas sanitárias. Em contrapartida, a escrita do projeto pôde ser desenvolvida remotamente e, rapidamente, a pesquisa adquiriu qualidade e eficácia.

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Grupo encontrou dificuldades durante o desenvolvimento do projeto por conta da pandemia ocasionada pela covid-19 | Divulgação

Quais foram as maiores descobertas?
No ramo da pesquisa científica, é preciso explorar conhecimentos de diversas áreas do conhecimento para elaborar um projeto e para executá-lo. Com o “Placas em Braille Sustentáveis” não foi diferente. Descobertas de situações distantes dos contextos de vida dos pesquisadores, a compreensão do mundo com outros olhos, olhos capazes de enxergar a vida pela perspectiva do outro, a percepção da importância da ciência, pois, por meio dela, é possível impactar e transformar a vida de toda a sociedade.

Com o desenvolvimento do projeto, foram adquiridos conhecimentos que abrangem desde legislação nacional e internacional, que garantem às pessoas portadoras de deficiência os direitos mínimos de acesso aos recursos da sociedade, até conhecimentos de química e de engenharia, como o processo de polimerização de um polímero e resistência dos materiais foram cruciais para a produção das placas em Braille.

Como foi participar da FEBRACE?
Experienciar a maior feira de ciências da América Latina, mesmo que virtualmente, foi deslumbrante! A grandeza e o significado que esse evento trouxe um sentimento extremo de gratidão ao expormos nosso projeto. Foi incrível apresentar nosso projeto – a solução que desenvolvemos para uma problemática cotidiana em nossa comunidade – para diversas pessoas do meio acadêmico, de várias áreas da ciência e com conhecimentos diversos.

Sobretudo, é possível dizer que a conexão criada entre as pessoas, nesse evento, e o compartilhamento de conhecimentos é o maior objetivo. O reconhecimento recebido alimentou muito a iniciativa científica em cada um dos pesquisadores.

Quais dicas daria para quem quer participar de uma feira de ciências?
Poderíamos dizer que os mais importantes alicerces da ciência são a curiosidade e a determinação. É preciso estar disposto e ser curioso para elaborar um projeto científico, adotar uma problemática e se dispor a, de alguma maneira, desenvolver um processo metódico que leve à sua solução.

Tendo isso em vista, o melhor conselho que podemos dar é para que as pessoas sejam exploradoras, para que investiguem sobre um problema da sua comunidade, que façam disso um projeto e que corram atrás da resolução ou de uma ação interventiva. Certamente, isso será uma experiência científica extremamente válida.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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