Grupo desenvolve argamassa visando a pesquisa por materiais sustentáveis na construção civil

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A construção civil é uma das maiores consumidoras de recursos não renováveis do planeta. O desperdício acarreta inúmeros malefícios para o setor e para o meio ambiente. Levando isso em consideração, um grupo produziu uma argamassa convencional típica para chapisco com substituição parcial do agregado miúdo (areia) pelo resíduo do alto forno (pó de balão) visando a busca por materiais sustentáveis na construção civil.

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Materiais sustentáveis na construção civil

O grupo desenvolveu diversos ensaios para comprovar a qualidade da argamassa e por meio desses levantamentos verificaram que as argamassas com substituição da areia pelo resíduo pó de balão geraram materiais com potencial de aplicação na construção civil.

Quer conferir mais sobre o projeto de materiais sustentáveis na construção civil? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Grupo enxergou a necessidade de investir em materiais sustentáveis na construção civil | Divulgação

“Resíduo aproveitado na construção civil”

*Por Manoela da Silva Carvalho
*Coordenado por Robson Fleming Ribeiro e Felipe Fernandes de Oliveira

Meu nome é Manoela da Silva Carvalho, sou egressa do IFMS Campus Corumbá e desenvolvi um projeto intitulado como “Resíduo descartado pela Siderúrgica de Corumbá MS como potencial para reaproveitamento na construção civil”, orientado pelo professor Dr. Robson Fleming. Bom, a ideia do projeto surgiu na necessidade de reaproveitar resíduos descartados pela siderúrgica de Corumbá MS. Muitas vezes resíduos eram descartados inadequadamente ao ar livre e disposição chegava a apresentar riscos ao meio ambiente e também aos próprios funcionários dessa empresa. Então pensamos em uma alternativa para minimizar esses impactos e tentar produzir um novo material. O resíduo em questão é o pó de balão, trata-se de um pó captado por um sistema de limpeza de gases a seco do alto forno denominado balão gravitacional. Esse resíduo não apresenta finalidade útil e depois de recolhido é estocado ao ar livre nos pátios das industriais. Uma alternativa para tentar minimizar os impactos causados pela siderurgia foi a incorporação em massa cerâmica. Mas, por que em massa cerâmica? Bom levamos em consideração o fato da construção civil ser uma das maiores consumidoras de recursos não renováveis do planeta, assim torna-se essencial para o país a busca por pesquisas em materiais de construção mais sustentáveis. Sendo assim, produzimos uma argamassa convencional típica para chapisco com substituição parcial do agregado miúdo (areia) pelo resíduo do alto forno (pó de balão). Para isso fizemos diversos ensaios para comprovar sua qualidade, ensaios para obter as propriedades físicas e mecânicas, por meio de ensaios de densidade, absorção de água e porosidade e ensaios mecânicos, propriedade química, pela técnica de difração de raios X e análise térmica. Com os resultados verificamos que as argamassas com substituição da areia pelo resíduo pó de balão geraram materiais com potencial de aplicação na construção civil. Além disso, os resultados mostraram que é possível agregar valor ao pó de balão e reduzir o impacto ambiental gerado pela Siderurgia.

Acredito que o maior desafio na realização do projeto sem dúvidas foi a quantidade de amostras produzidas, confeccionamos mais de 125 corpos de prova para submeter aos ensaios e garantir uma melhor confiabilidade na pesquisa. Além disso, a quantidade de ensaios que foram feitos também é de se impressionar, fizemos cerca de 6 tipos de diferentes ensaios que além de enriquecer o trabalho, me trouxe uma enorme experiência. Foram dois anos de pesquisa em laboratório que foram recompensados pela participação na maior feira de ciências do país. E o sentimento de satisfação de ter um trabalho reconhecido e premiado não tem preço. Foi uma experiência incrível ter participado da FEBRACE, tanto relacionado ao contato com outros alunos de forma virtual, quanto aos comentários dos avaliadores. Pude assistir as apresentações dos finalistas da bancada do meu grupo e é surpreendente o nível das pesquisas apresentadas e ter conseguido premiação diante de todas essas foi sem dúvida muito gratificante. Quanto aos comentários e sugestões dos avaliadores considero de extrema importância visto que são sempre críticas construtivas, assim ajudam na melhoria da pesquisa e também enriquecem o aprendizado.

Para quem deseja participar da FEBRACE é muito importante além da iniciativa na pesquisa, procurar um professor orientador para que consiga guiar o projeto e ajudar nos desafios que possam encontrar pelo caminho. Ademais persistir e acreditar que é possível produzir uma pesquisa de alta qualidade e chegar a ser finalista de uma das maiores feiras de caráter nacional, é um sentimento de missão cumprida que vale a pena todo o esforço.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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