Estudo aponta se brasileiros são jovens politizados

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Falar de política é sempre um assunto que rende, não é mesmo? Bom, na verdade, nem sempre. Levando essa dúvida em questão, uma estudante resolveu elaborar um estudo para elucidar se os brasileiros são jovens politizados.

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Jovens politizados

A ideia do projeto de jovens politizados surgiu de uma inquietação e percepção da autora que sempre teve a sensação de que, em geral, muitos dos seus colegas, amigos e pessoas da mesma idade, não tinham interesse por assuntos relacionados à política.

A partir daí, ela decidiu investigar essa questão e desenvolveu um estudo intitulado “Jovem, politize-se!”.

Segundo a autora, antes de começar o projeto para saber se os jovens são politizados, ela não acreditava que as redes sociais pudessem ser aliadas no processo de politização. Para ela, esses meios só serviam como meio de alienação.

“Mas, com o passar do meu projeto e devido às pesquisas que foram realizadas, eu passei a perceber como as redes e mídias sociais podem ser aliadas nesse processo de politização, como podemos usá-las para propagar a informação verdadeira e confiável e como podemos incentivar e estimular o debate e discussão de ideias por meio delas”, afirma Ariane Minetto Araújo.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

Jovens-politizados
Estudo teve como objetivo investigar a relação dos jovens brasileiros com a política

“Jovem, politize-se!”

*Por Ariane Minetto Araújo
*Coordenado por Lara Taline dos Santos e Irinéia Inês Scota

O nome do meu projeto é “Jovem, politize-se!”, e eu, autora do projeto, Ariane Minetto Araújo, fui orientada pelas professoras Lara Taline dos Santos e Irinéia Inês Scota. A ideia que originou este projeto saiu de uma inquietação e percepção que eu sempre tive de que, em geral, muitos dos meus colegas, amigos e pessoas da minha idade, não tinham interesse por assuntos relacionados à política. E eu sempre quis saber se essa percepção que eu tinha dos meus colegas era algo geral e que acontecia com outros jovens e adolescentes. Sendo assim, quando surgiu a oportunidade de participar da MOBIPE (Mostra Brasileira de Inovação, Pesquisa e Empreendedorismo), feira afiliada que me levou a FEBRACE, eu decidi investigar essa questão: se a minha percepção de que havia um distanciamento entre os jovens e a política era verdadeira.

Quais foram os maiores desafios?
Como eu entrei para a FEBRACE por meio do projeto que eu desenvolvi na MOBIPE, acredito que uma das maiores dificuldades foi ter que adequar e adaptar o meu trabalho para os moldes da FEBRACE. A MOBIPE, apesar de ser bem trabalhosa, tem menos critérios e é menos exigente com relação à Termos de Consentimento, referências bibliográficas, diário de bordo, etc. E, como eu havia aplicado minha pesquisa seguindo o formato da MOBIPE, eu não pedi aos meus entrevistados que assinassem o Termo de Consentimento, meu Diário de Bordo era bem simples e não era muito detalhado, etc. Da mesma forma, por ser bem mais exigente e ter critérios muito mais específicos e detalhados, acredito que uma outra grande dificuldade de participar da FEBRACE foi o cansaço e a exaustão. Obviamente, eu já havia feito diversos trabalhos, pesquisas e redações no colégio, mas nenhuma foi tão exaustiva quanto a FEBRACE. Ter que verificar cada critério da ABNT para averiguar se meu texto estava dentro da norma-padrão, verificar se tudo estava referenciado da forma correta, ter que tornar meu texto e minhas ideias em teses, dissertações, soluções, etc, foi bem cansativo.

Quais foram as maiores descobertas?
Devido ao fato que outros pesquisadores já tinham feito pesquisas semelhantes a minha, eu sempre ficava surpresa e um pouco maravilhada que muitas das minhas observações e hipóteses já haviam sido testadas e provadas, ou não, por esses outros pesquisadores. Eu descobri que muitas coisas que eu achava que fossem pequenos detalhes ou de pouca importância eram na verdade importantes critérios e fatores para avaliar o nível de participação e conhecimento político das pessoas. O fato que muitas coisas que são discutidas, debatidas e estudadas há décadas ainda ocorrem, e que é possível perceber essas questões e temas no meu dia-a-dia, é algo fascinante e intrigante. De forma semelhante, esse projeto também contribuiu para acabar com certas percepções errôneas que eu tinha com relação a diversos assuntos, mas principalmente relacionado aos meios de participação política de um indivíduo. Antes de começar o meu projeto, eu não acreditava que as redes sociais pudessem ser aliadas no processo de politização das pessoas, de fato, acreditava que fossem inimigas, que só servissem como meio de alienação principalmente dos jovens do mundo em que vivem. Mas, com o passar do meu projeto e devido às pesquisas que foram realizadas, eu passei a perceber como as redes e mídias sociais podem ser aliadas nesse processo de politização, como podemos usá-las para propagar a informação verdadeira e confiável e como podemos incentivar e estimular o debate e discussão de ideias por meio delas.

Como foi participar da FEBRACE?
Participar da FEBRACE foi exaustivo, mas ao mesmo tempo foi muito importante para mim. Em diversos dias, eu passava horas em frente ao computador, digitando, pesquisado, apagando, reescrevendo, falando com minhas orientadoras, e tinha momentos em que eu virava para minha mãe e meu pai, os quais foram meus principais aliados e amigos durante a FEBRACE, e começava a chorar, dizendo que eu não aguentava mais, que eu só queria poder entrar em uma chamada com as minhas amigas e jogar um jogo, que eu só queria assistir uma série e descansar. Mas, junto com a ajuda deles e das minhas orientadoras, eu persisti. E, apesar de todo esse nervosismo e ansiedade que eu sentia, a principal emoção que eu senti ao longo de toda a formulação e construção do projeto foi de alegria e orgulho, porque, afinal, “Ei! Isso é a FEBRACE, a maior feira de ciências do país! E você está participando dela! Você está aqui!” E toda vez que eu pensava nisso, eu simplesmente olhava para o meu computador, dizia para mim mesma que isso ia dar certo, e continuava escrevendo e pesquisando.

Na semana de apresentações, eu estava muito ansiosa, eu tinha medo que eu não conseguisse responder às perguntas que os avaliadores me fizessem; eu estava nervosa com relação a quem seriam meus avaliadores, porque essa é uma feira organizada pela USP, uma das universidades mais renomadas do país, e eu só estava no 8º ano; eu estava com medo de me dar um branco do meio da apresentação e me envergonhar no meio de tanta gente; mas, acima de tudo, eu estava com medo de decepcionar minha família e minhas orientadoras. Todos eles viram o quanto eu trabalhei, o quanto eu sabia sobre o que eu estava falando, mas eu tinha medo que eles se decepcionassem com o que eu falaria, que eles achassem que eu não tinha feito o meu melhor.

Mas quando eu apresentei pela segunda e última vez, todos esses medos foram embora. A sensação que eu tive foi de realização, alívio e alegria. Assim como disse minha orientadora, a prof.Lara, “Quem fez esse trabalho foi você. Você é a especialista nesse assunto. Não precisa ter medo”, e é exatamente isso. Os avaliadores são professores, pesquisadores e acadêmicos de extremos renome, mas foi você que fez tudo aquilo. A FEBRACE é extremamente exigente e complicada, mas no final, quando você percebe o tanto que você evoluiu, tanto emocionalmente, quanto academicamente, é uma sensação muito boa. Você se sente realizado, satisfeito, orgulhoso, mas acima de tudo, grato pela oportunidade de participar de uma feira como a FEBRACE e grato por todos que te ajudaram a chegar até ali, seus professores, seus orientadores, seus amigos, sua família.

Participar da FEBRACE em 2020/21 também foi uma experiência diferente, devido a toda situação da pandemia de coronavírus. Na verdade, eu tive a vontade de iniciar esse projeto devido à pandemia, já que, com a flexibilização das provas e testes na escola, eu me sentia um pouco inútil, improdutiva e muito entediada. Portanto, quando surgiu a oportunidade de participar da MOBIPE, algo que me desafiaria, em que eu teria que pesquisar, escrever e afins, eu agarrei-a na hora. Só que eu não esperava que meu projeto crescesse ao ponto da FEBRACE e que alcançasse dimensões tão amplas.

Quais dicas daria para quem quer participar de uma feira de ciências?
Uma dica que eu dou a quem quer participar de uma feira de ciências, independentemente da escala ou nível da feira, é que você acredite e confie em si mesmo e nos outros. Acredite em si mesmo, no seu potencial e na sua capacidade. Qualquer um pode participar de uma feira dessas, desde que se dedique e esteja disposto a aprender e ouvir. Ouça o que seus pais têm a dizer, ouça o que seus orientadores têm a dizer. Eles têm mais experiência. Às vezes pode ser chato ter que ficar escrevendo tudo que você faz, ter que referenciar tudo que você pesquisa, mas isso vai valer a pena. Essas pessoas estão ali para te ajudar, incluindo os avaliadores. Por mais difícil que seja, tente aceitar essa ajuda e conselhos, siga-os, para o seu próprio bem e para o bem do seu projeto. E lembre que mesmo que você não seja premiado, participar de feiras de ciências te torna crítico e faz com que você noticie os mínimos detalhes, suas habilidades de escrita, interpretação, análise crítica e oratória ficam muito melhores. E essas habilidades são essenciais para a vida, independentemente do rumo que você siga.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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