Grupo desenvolve projeto buscando a inclusão social de deficientes visuais

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Atualmente no Brasil existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, essas pessoas ainda sofrem com algumas faltas de estrutura. Levando isso em consideração, um grupo de estudantes resolveu desenvolver um projeto voltado para a inclusão social de deficientes visuais.

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Inclusão social de deficientes visuais

O projeto é baseado no desenvolvimento de um protótipo portátil, de baixo custo e controlado por um microcontrolador programado em uma linguagem C/C++. O dispositivo auxilia os deficientes visuais no reconhecimento das cédulas monetárias e seus valores, a partir do seu tamanho e cor e comunica o valor da mesma por meio de alto-falantes ou fones de ouvido.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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A ideia do projeto surgiu a partir de um monitoramento feito por uma das integrantes do grupo | Divulgação

“Carteira Falante”

*Por Carolina Teixeira Muller, Kamila Silveira Kowalski e Micael Schmidt Serpa
*Coordenado por Rafael Marquetto Vargas

De onde surgiu a ideia do projeto?
A ideia surgiu a partir da realização de uma monitoria feita por uma das integrantes do grupo. Durante esta monitoria ela acompanhou o cotidiano de uma aluna deficiente visual do IFSul Câmpus Charqueadas, auxiliando-a no seu deslocamento pelo campus e nas atividades acadêmicas. Desta forma, tornou-se visível a dimensão das dificuldades enfrentadas no dia a dia. Criou-se então interesse em desenvolver um projeto no âmbito da tecnologia, voltado principalmente para a melhora na comunicação e inclusão social de pessoas com deficiência visual.

Quais foram os maiores desafios?
O projeto é baseado no desenvolvimento de um protótipo portátil, de baixo custo e controlado por um microcontrolador programado em uma linguagem C/C++. O dispositivo auxilia os deficientes visuais no reconhecimento das cédulas monetárias e seus valores, a partir do seu tamanho e cor e comunica o valor da mesma através de alto- falantes ou fones de ouvido. Além disso, a elaboração foi fundamentada em fabricar um protótipo de fácil utilização e que traz autonomia sem prejudicar a segurança dos indivíduos que a utilizam. Diferentemente de um smartphone, o dispositivo desenvolvido não será atrativo para possíveis furtos. Assim, surgiram alguns desafios como:
– Compreender as necessidades dos deficientes visuais.
– Propor um desafio tecnológico que será útil na vida destas pessoas.
– Encontrar uma maneira de reconhecer as cédulas de real que não fosse utilizando aplicativos.
– Desenvolver um circuito capaz de identificar cédulas e reproduzir áudios gravados.
– Construir um bom layout para a placa de circuito impresso, sendo prático e de fácil utilização.
– Soldar os componentes SMD.
– Programar o microcontrolador sem a placa arduino.
Adaptar o reconhecimento a partir do lançamento da cédula de 200 reais.
– Desenvolver um design que permita a fácil inserção das notas, a presença de uma bateria interna, e ao mesmo tempo, que cabe dentro do bolso.
– Testar as primeiras versões dos protótipos com um grupo de deficientes visuais aplicando questionários.
– Chegar na versão final do layout, que tem tamanho mínimo e é composta somente por componentes SMD.

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A ideia do projeto é melhorar a inclusão social dos deficientes visuais | Divulgação

Quais foram as maiores descobertas?
– Conhecer as diferentes formas que os cegos identificam as notas sem o auxílio desse tipo de dispositivo.
– Descobrir que muitos deficientes já foram enganados ao utilizar dinheiro.
– Que as notas tinham tamanhos diferentes, possibilitando o reconhecimento delas a partir disso (antes de ser lançada a nota de R$200,00).
– A possibilidade de construir circuitos eletrônicos sem utilizar a placa inteira do componente Arduino.

Como foi participar da FEBRACE?
Foi uma experiência que agregou demais para o projeto e no desenvolvimento pessoal dos integrantes. Participar de feiras científicas sempre é uma vivência muito satisfatória por ser um momento que podemos absorver muito conhecimento durante todo o processo, além de ser uma oportunidade de tornar nosso trabalho visível e receber sugestões de pessoas de fora, o que acrescenta demais na evolução do projeto. Na Febrace não foi diferente, desenvolver e melhorar o protótipo durante um momento difícil como este de pandemia foi um grande desafio. Trabalhamos de maneira remota, construindo a nova placa do dispositivo, soldando os componentes e resolvendo todos os impasses para um funcionamento eficiente. Além disso, ensaiamos bastante para o dia da apresentação através de chamadas de vídeo e feedbacks.

Quais dicas daria para quem quer participar de uma feira de ciências?
– Manter uma boa relação entre os integrantes do grupo.
– Criar várias metas curtas e objetivas a serem cumpridas.
– Manter uma boa organização na ordem das tarefas durante o desenvolvimento do trabalho.
– Ser ambicioso em relação a possíveis melhorias no projeto.
– Ensaiar muito.
– Estar abertos à críticas e sugestões.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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