Espalhando ideias

publicidade

Foi também ficando fascinada pelo trabalho de outros divulgadores de ciências, que publicavam textos e fotos em revistas e livros, que a comunicadora Stephane Werner decidiu seu futuro acadêmico. E foi na cidade do Rio de Janeiro que começou sua carreira, ainda adolescente, ingressando no curso de Astronomia da UFRJ. Para nossa sorte, a Stephane é uma dessas divulgadoras, que certamente influenciará a carreira de outras pessoas.

Stephane Werner no cenário do seu canal do Youtube
publicidade

Foi durante a graduação que a Stephane decidiu seus passos na pós graduação. Uma das áreas da Astronomia envolve o estudo e análise de dados coletados do Universo. E foi aí que ela se encontrou, o que a levou a obter o título de Mestre pela USP e a desenvolver seu projeto de doutorado. Hoje ela está vivendo na Inglaterra trabalhando no seu projeto. Esse  envolve análises de um Universo distante, mas não tão distante que a Stephane não possa alcançar.

Entrada na divulgação

O primeiro contato com divulgação científica foi através do contato direto com pessoas. Na UFRJ, durante a graduação, aproveitou sua empolgação inicial e abraçou vários projetos. Num deles eles ia até escolas levando telescópios, proporcionando a visão de detalhes no céu. Em outro, dentro do campus da universidade, montavam um planetário inflável e contavam histórias de mitologia associada às constelações. Usando essa técnica de associar história e astronomia atendiam crianças de 7 anos até adolescentes. 

E uma das experiências mais interessantes da vida da Stephane até o momento foi o trabalho em uma creche da UFRJ. Lá crianças que ainda não sabiam escrever, com 4 anos de idade, entravam em contato com Astronomia através da Stephane. E as perguntas eram super interessantes, inesperadas, como “por que não existem estrelas verdes?”. Perguntas não necessariamente fáceis de responder.

Carreira científica

Encarar esses desafios faz parte dos seus trabalhos. Na graduação participou de um concurso com um de seus talentosos colegas, ganharam, e como prêmio fez um estágio curto nos EUA. Já no mestrado participou de um dos maiores levantamentos de aglomerados de galáxias do hemisfério sul. Stephane montou um catálogo com os recém encontrados e ainda trabalhou com simulações para avaliar se de fato teria encontrado esses aglomerados. A conclusão foi a de que ela havia sido bem sucedida.

Stephane Werner no deserto do Atacama no Chile, cercada por telescópios do ESO.

Ela continua estudando aglomerados de galáxias no doutorado. Essas tem mais matéria escura, mais gás e podem ter o tamanho de milhões e milhões de Sóis. Ela estuda o que acontece com esses aglomerados de galáxias em universos mais distantes, como eles se comportam. Para a obtenção desses dados exige-se muita tecnologia, telescópios muito potentes, e portanto também caros. A responsabilidade na análise é bem grande.

Mas isso não significa que precise ser feito por alguém “perfeito”. Uma das metas da divulgação realizada pela Stephane é mostrar para os futuros cientistas que o caminho é tortuoso. Em um de seus vídeos ela fala sobre suas reprovações na graduação, deixando claro que isso pode fazer parte do processo. Aliás, foi o que aconteceu com vários professores universitários que hoje têm carreiras de sucesso.

Astrotubers

Em uma reunião da SAB, a Sociedade Astronômica Brasileira, a Stephane, junto com outros colegas da graduação e pós graduação, fundaram o Astrotubers, projeto que tem um canal no YouTube para divulgação da Astronomia. A ideia inicial com o Astrotubers era que o trabalho fosse dividido entre várias pessoas, para que a carga (que é grande) pudesse ser distribuída entre todos e a constância da produção poderia ser maior, favorecendo, em tese, o crescimento do canal. Como todos são acadêmicos, trabalhar também com divulgação leva a dupla jornada. Infelizmente ainda não remunerada como os comunicadores merecem, muitas vezes de forma totalmente voluntária.

O trabalho exige um número grande pessoas, algumas apresentando e escrevendo roteiros, outras fazendo arte, outras gerenciando todo o projeto. No momento o Astrotubers participa do projeto AstroMais, em parceria com o Instituto Serrapilheira. Unindo produtos de divulgação da Astronomia, como o Astrotubers e a Astrothreadbr, em parceria com a SAB, fazem um combo de divulgação com poder de atingir ainda mais pessoas.

Stephane Werner, toda orgulhosa, propagandeando o Astrotubers pelo mundo.

Além da participação no Astrotubers, a Stephane tem seu próprio canal no YouTube. Nesse ela pode inserir conteúdo pessoal, dar a ele um gerenciamento mais pessoal, ganhando mais autonomia do conteúdo. A Stephane costuma empatizar com indivíduos muito facilmente, e ela trabalha pensando na Stephane do passado, que entrou na graduação sem saber exatamente o que um astrônomo fazia. Poder guiar novas pessoas através da comunicação das experiências pelas quais ela já passou é um dos focos do canal pessoal.

Meta de vida

Segundo a Stephane, a felicidade é um meio para se espalhar e compartilhar as boas ideias, mesmo que não sejam suas (além da geração de novo conhecimento com trabalho de pesquisa). Ela também criou o seu próprio Twitter e começou a usá-lo para divulgação. Divulgação tomou conta da sua vida, e veio pra ficar, para a alegria e a sorte de muitos.

Daqui a dez anos novos jovens, que hoje estão consumindo o conteúdo da Stephane, serão astrônomas, que terão tido maior orientação para o desenvolvimento da carreira acadêmica. Graças a pessoas como a Stephane, que compartilham o que podem para facilitar a vida dos novos cientistas, pesquisadores e divulgadores.

E um mote da Stephane, que ela pretende levar pra vida toda, é o seguinte: se você gostou de um conteúdo, se aquilo mexeu com você, se despertou emoções, você deve compartilhar. As pessoas precisam conhecer as boas ideias. Amplie as boas ideias!

Pois eu estou de total acordo com ela e só desejo ainda mais sucesso.

Que bom ver você de novo por aqui. Volte sempre.

Obrigado e tchau.

 

Quer conhecer mais histórias inspiradoras de mulheres na ciência? Confira abaixo!

► Comunicadora, Pesquisadora, Professora
► Trazendo uma especialista para a conversa
► Comunicando História
► Da audiência para a exposição

 

Deixe seu comentário