Educação em comunidades indígenas: projeto analisa a luta pelo direito ao ensino

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A educação é, sem dúvida, um direito de todos. Quando falamos sobre esse assunto (se tratando de Brasil, um país com dimensões continentais) é certo dizer que existem inúmeras nuances. Partindo desse princípio, um grupo de estudantes resolveu elaborar um projeto sobre a educação em comunidades indígenas.

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Educação em comunidades indígenas

Segundo os estudantes, com o estudo foi possível descobrir muitos assuntos importantes, inclusive o modo que cada comunidade indígena utiliza a educação como ferramenta de resistência de forma específica.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Segundo o grupo, foi possível descobrir o modo que cada comunidade indígena utiliza a educação como ferramenta de resistência de forma específica | Divulgação

“A luta pelo direito à educação”

*Por Diwarian Pego de Souza e Josiane Tranhagno Cordeiro
*Coordenado por Thalismar Matias Gonçalves

A ideia do projeto veio do professor de Geografia, Thalismar Matias Gonçalves, adjunto dos integrantes do NEPTO (Núcleo de Estudos sobre os Povos Tradicionais Originários), na qual o mesmo é um dos criadores desse núcleo junto com o professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, Glaudertone Andrade de Barcellos. Os encontros do NEPTO aconteciam quinzenalmente no Instituto Federal do Espírito Santo-Campus Aracruz, local da origem do núcleo, onde se estudava vários assuntos relacionados às questões indígenas e debatia-se entre os integrantes, que em sua maioria eram alunos. O projeto de iniciação científica apresentado na FEBRACE é a união de dois projetos financiados pelo CNPq, “LUTAS PELO TERRITÓRIO INDIGENA: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO
INDIGENA EM ARACRUZ” de autoria do bolsista Diwarian Pego e “LUTA PELO DIREITO À EDUCAÇÃO: O CASO DE ESTUDANTES INDÍGENAS NAS ESCOLAS
NÃO INDÍGENAS DE ARACRUZ” de autoria da bolsista Josiane Tranhagno, os dois projetos foram premiados na FECINC (Feira de Ciências Norte Capixaba), com isso recebemos uma credencial para a FEBRACE, porém, com o projeto unificado.

Encontramos algumas dificuldades ao longo da realização da “IC”, como, por exemplo, conseguir conciliar a pesquisa com o ensino médio integrado ao técnico e outras atividades extracurriculares. Os contingenciamentos nas verbas dos Institutos Federais feitas pelo Governo em 2019 prejudicaram nossa pesquisa, por exemplo, tínhamos como intuito realizar visitas técnicas nas seis escolas contempladas, para ter um contato direto da pesquisa com as mesmas, mas devido esses ocorridos conseguimos visitar apenas 3 instituições, pois não tínhamos verba para transporte. Outro obstáculo foi conseguir unir os dois projetos sem que na apresentação ficasse faltando partes importantes ou um tivesse uma visibilidade maior quanto o outro.

Com esse projeto foi possível descobrir muitos assuntos importantes, um deles é o modo que cada comunidade indígena utiliza a educação como ferramenta de resistência de forma específica. Foi enriquecedor ver como os povos indígenas ocuparam o espaço na educação escolar, depois de muitas lutas conseguiram reverter a forma de ensino que por séculos era uma arma para o etnocídio indígena e se tornou um estímulo de resgate e fortalecimento cultural. Prazeroso descobrir que escolas não indígenas como a EEEFM Primo Bitti vem criando projetos para acolher alunos indígenas e diminuir os ataques preconceituosos que os mesmos recebem.

Segundos os estudantes, foi difícil conciliar a pesquisa com o ensino médio integrado ao técnico e outras atividades extracurriculares | Divulgação

Participar da FEBRACE foi de suma importância, tanto para os indígenas quanto para os não indígenas, pois através desse projeto conseguimos dar uma visibilidade maior para as comunidades nativas, mostrando a realidade dos povos Tupinikim e Guarani em relação ao ensino escolar, lutas, conquistas e obstáculos. Com essa pesquisa foi possível quebrar vários estereótipos impostos aos indígenas e como é importante que tenham acesso à educação diferenciada, para esse método funcionar é necessário todo suporte governamental que em muitas vezes é negligenciado. Por isso, apresentar essa iniciação científica na FEBRACE, uma feira grandiosa, faz com que várias pessoas tenham acesso ao projeto, mudando assim muitas visões pré-concebidas sobre os povos indígenas e possibilitando que, nesse caso a educação diferenciada intercultural e bilíngue, tenham mais apoio da sociedade. Através da nossa participação na FEBRACE, tivemos o privilégio de prestigiar diversos trabalhos magníficos que foram apresentados, projetos científicos de toda parte do país que mostravam muitos assuntos sobre e para a sociedade. Dessa maneira, ficou visível como investir em pesquisas na ciência e educação é primordial para um mundo mais inclusivo, com menos intolerância, mais conhecimento e assim tornando as sociedades igualitárias, independente de cor, classe, credo, orientação sexual e entre outros.

Indicamos às pessoas que queiram participar de uma feira de ciências que se dediquem na elaboração de seus projetos, façam diversas pesquisas para ter um conhecimento amplo sobre os assuntos do seu trabalho, acreditar em si, entender que existem vários tipos de inteligência e que nenhuma é superior ou inferior a outra. Sugerimos que na elaboração e na apresentação do seu projeto científico, foquem na aprendizagem e ensinamentos que conseguirá adquirir e transmitir através dele. Pois, quando se almeja apenas as premiações ou querem ser melhor que o outro deixa o ambiente competitivo, desfocando o verdadeiro propósito da ciência. Deixamos aqui nossa visão sobre as premiações, elas não indicam que um projeto é preferível, pois todos têm suas importâncias e mostram que determinadas propostas tiveram uma melhor performance na elaboração ou na apresentação, e isso ocorre por diversos fatores, mas não por ser superior aos projetos não contemplados. E por fim, aconselhamos a participarem das feiras de ciências e produzirem pesquisas científicas, porque a ciência é arte e a arte salva, transforma e revoluciona.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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