Domesticados e autodidatas

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Muita gente se orgulha de fazer parte da espécie humana por estarmos no topo da cadeia alimentar, termos cérebros bem desenvolvidos, diferentes sistemas de linguagem e noções complexas de sociedade. É muito poder, né? Não seria surpresa se algumas pessoas se ofendessem ao serem consideradas parte de uma espécie domesticada.

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Contudo, isso pode muito bem ser verdade. Biólogos e antropólogos acreditam que os altos estágios da evolução da espécie humana se dão pelo fato de que em algum momento, o ser humano domesticou a si próprio. Segundo pesquisadores, o homem está para o chimpanzé como o cão está para o lobo. Uma versão menos feral e mais sociável de um “parente clássico”. Uma espécie que reprime os instintos mais profundos em favor do convívio e da cooperação. Os sinais disso estão na própria fisionomia do ser humano – formato de rosto, nariz, postura…

Ou seja, eles acreditam que em determinado momento da escala evolutiva, o homem ensinou a si próprio que é melhor não chutar o coleguinha, nem mostrar a língua, morder ou xingar. A consequência desse conflito interno entre cooperação, competição e sobrevivência é justamente os complexos sistemas de linguagem, sociedade e relações interpessoais que temos hoje em dia.

Eles especulam que seja justamente isso que transforma a espécie humana em algo tão peculiar; capaz tanto de guerras quanto de ações cooperativas. Em comparação aos demais primatas, o homem possui vários traços físicos que denotam a “síndrome da domesticação”, mas não necessariamente todos. O grande desafio dos pesquisadores agora é encontrar uma forma de testar essa tese na prática. Eles próprios consideram a conversa ousada demais para o que conhecemos sobre a evolução da espécie; embora nesse primeiro momento já sejam capazes de defender a tese a partir de estudos prévios.

Fonte: Sciencemag

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Mari Fulfaro é CEO e cocriadora do Manual do Mundo. É host do programa científico "Pode isso, Mari?", veiculado pelo UOL, o maior site de notícias do Brasil.