Desempenho esportivo pode estar intimamente ligado ao relógio biológico

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Para ilustrar o título deste texto, poucos exemplos são tão bons quanto aquele que é talvez o maior medalhão do futebol brasileiro: Ronaldinho Gaúcho. Vamos começar pelo fato de que a facilidade com que o craque lida com a bola é praticamente natural. Isso acontece até mesmo onde menos se espera. Tem gente aqui no Manual do Mundo que já trabalhou com um Procurador Estadual bem gordinho e fora de forma, mas que na hora da pelada da firma, era quem provia os gols e lances importantes com uma perna esquerda de invejar boleiros profissionais.

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OK, isto posto, de volta ao R10. Todo mundo se lembra dele no Barcelona, onde foi catapultado ao título de melhor jogador do mundo. Além da habilidade, o desempenho físico do Ronaldinho era incomparável. Arrancada, frenagem, visão de jogo, pontaria, força, equilíbrio… era virtualmente impossível parar o rapaz.

ronaldinho
Vai no Youtube e procura compilações dele só no Atlético Mineiro, onde jogou depois do auge, já com mais de 30 anos. Rende mais tempo do que compilações de carreiras inteiras.

Isso aconteceu porque, em vista de uma brilhante carreira, Ronaldinho percebeu que quanto melhor o seu empenho, mais premiado seria. Assim sendo, acordou cedo e treinou durante o dia, aproveitando o máximo de seu ciclo circadiano – vulgo relógio biológico. Alguns títulos e prêmios depois, começou a ficar repetitivo, e Ronaldinho parou de render. Afinal, ainda precisava acordar cedo e treinar durante o dia, mas a vida noturna oferecia mais “prêmios”. O ciclo foi mal aproveitado, dando um tom azedo à sua saída do Barcelona.

Não é que existe um horário ideal para todos treinarem. É que o ciclo circadiano se adapta conforme os horários da pessoa. Após uma série de testes, ficou constatado que o ápice de performance de alguém que acorda de manhã é por volta do meio-dia. Quem acorda ao meio-dia, performa melhor ao fim da tarde. E quem troca o dia pela noite performa melhor… isso mesmo: à noite.

Tanto que. mesmo já mais velho e com o filme queimado, R10 acompanhou o Atlético Mineiro à conquista da Libertadores. A oportunidade contemplada foi semelhante. Longe do carnaval e vida noturna cariocas, percebeu que ainda poderia fazer algo histórico. Assim sendo, voltou a aproveitar seu ciclo circadiano e treinou sério, jogando como nunca se esperava. E, mais uma vez, o ciclo se repetiu quando ficou repetitivo demais, e a vida noturna venceu novamente.

Como a rotina de um clube tende a ser diurna, é por isso que jogadores baladeiros perdem desempenho. À exceção do Romário, que foi uma completa aberração da natureza nesse aspecto. Então se você anda mal nos esportes, busque praticá-los cerca de 6 horas após acordar.

Fonte (da informação, não da comparação com o Ronaldinho): Science Magazine

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