Grupo desenvolve trabalho que busca o combate à mosca negra-do-citros

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O Sergipe é o 4º maior produtor de laranja do Brasil. A citricultura – cultivo ou plantação de frutas cítricas – é um dos principais produtos agrícolas do estado, e a maior concentração da produção fica situada na região Centro-Sul. No entanto, existe uma praga que se alimenta da seiva das laranjeiras e leva a morte. Levando isso em conta, um grupo de estudantes desenvolveu um trabalho que busca o combate à mosca negra-do-citros.

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Combate à mosca negra-do-citros

A ideia de desenvolver um trabalho que tivesse como foco o combate à mosca negra-do-citros surgiu de uma problemática vivenciada pelo grupo.

O controle dessa praga é realizado por meio de agrotóxicos que são caros e prejudicam o meio ambiente. Com isso, o grupo pode presenciar vários pequenos citricultores abandonarem os seus pomares de laranja, devido aos altos custos de manutenção, e resolveu agir.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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A ideia do projeto surgiu a partir de uma problemática vivenciada pelo grupo | Divulgação

“Tecnologia alternativa e sustentável na citricultura”

*Por Alisson Souza da Cruz e Paulo Souza dos Santos
*Coordenado por Pedro Ernesto Oliveira da Cruz

O nosso projeto tem como título “Tecnologia alternativa e sustentável no combate à mosca negra-do-citros (Aleurocanthus woglumi Ashby – Aleyrodidae)” e é realizado pelos estudantes Alisson Souza da Cruz e Paulo Souza dos Santos, orientado pelo professor de Química Pedro Ernesto Oliveira da Cruz. Somos do Colégio Estadual Prefeito Anfilófio Fernandes Viana, localizada na cidade de Umbaúba, Sergipe.

A ideia do projeto surgiu de uma problemática da nossa comunidade, vivenciada por nossos pais, amigos e vizinhos: a mosca-negra-dos-citros – uma praga que se alimenta da seiva das laranjeiras, levando-a à morte. Vale lembrar que o Estado de Sergipe é o 4º maior produtor de laranja do país e a citricultura é um dos principais produtos agrícolas do nosso Estado, com concentração da produção na região Centro-Sul onde estamos situados. O controle dessa praga é realizado através de agrotóxicos que são caros e prejudicam o meio ambiente. Assim, pudemos presenciar vários pequenos citricultores abandonarem os seus pomares de laranja, devido aos altos custos de manutenção.

Foram muitas descobertas na trajetória da nossa pesquisa. Pudemos encontrar dois materiais que servem de inseticidas para o combate à mosca negra-do-citros: manipueira e o óleo essencial das cascas da laranja. A manipueira é um líquido venenoso que contem ácido cianídrico e é obtido na produção de farinha de mandioca, raiz muito apreciada na culinária. Visitamos casas de farinha da nossa comunidade e lá, pudemos notar que a manipueira é comumente despejada em céu aberto, agredindo assim o meio ambiente.

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Estudantes conseguiram encontrar dois materiais que servem de inseticidas para o combate à mosca negra-do-citros | Divulgação

Além disso, descobrimos também que das cascas da laranja é possível obter um óleo essencial rico em D-limoneno que possui poder inseticida contra várias pragas. Para extração desse óleo construímos um hidrodestilador caseiro usando materiais de fácil acesso como cano de pvc, mangueiras e panela de pressão, tendo um custo final de apenas R$72,00. Com ele, extraímos o óleo com um rendimento de 1,72% – valor bem próximo dos encontrados na literatura.

Pudemos testar a eficácia desses produtos (manipueira e óleo essencial de cascas de laranja) contra ovos e larvas da mosca-negra-dos-citros e obtivemos uma eficiência média acima de 90%, mostrando que a tecnologia criada é eficaz contra a praga, além de ser sustentável e barata.

O nosso maior desafio durante a execução do projeto foi a construção do hidrodestilador caseiro – equipamento que permitiu a extração do óleo essencial das cascas de laranja, que possui atividade biológica contra a mosca-negra-dos-citros. Devido a pandemia da covid-19 não era possível nos deslocar ao laboratório de ciências da escola, com isso, tivemos que construir o nosso “laboratório” que foi a cozinha de casa, onde passamos 10 meses realizando as fases do projeto. O trabalho foi árduo e a cada obstáculo vencido, tínhamos uma visão otimista que estávamos no caminho certo.

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O combate a essa praga é feito por meio de agrotóxicos e por ser caro prejudica alguns citricultores | Divulgação

Nós somos do interior do Estado de Sergipe, moramos na zona rural e estudamos em uma escola pública. Para nós, participar de feiras de ciências em nível nacional, seria um sonho impossível. Então, participar da 19º edição da Febrace e ser premiado, foi uma experiência indescritível e memorável. Está entre os melhores do Brasil, foi o maior prêmio. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, fizemos uma excelente apresentação, participamos de palestras e recebemos ótimos elogios. Acreditamos que ciência e pesquisa é uma válvula de escape para nossa criatividade. Então, toda ideia inovadora que tem um potencial para solucionar um problema que nos afeta cremos que se faz através da ciência.

Aos estudantes que sonham em participar da Febrace, a nossa dica é: não existe segredo! É fazer algo que é importante para sua vida, que seja relevante e que possa ajudar pessoas em sua volta. Não é sobre ter o melhor laboratório, estudar na melhor escola, ter as melhores condições, não é isso! Fazer pesquisa, não significa ganhar prêmios, é tentar transformar a nossa realidade, ajudando nossa sociedade de forma impactante, realizando divulgação científica e incentivando outros estudantes a contribuírem positivamente para o nosso país e para o mundo.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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