Manifesto das Pretas: grupo desenvolve projeto tendo as mulheres negras como protagonistas

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Ao longo dos anos as mulheres vem ganhando cada vez mais espaço na sociedade. Isso, claro, além de se rum grande exemplo é também uma inspiração. Levando isso em consideração, um grupo de estudantes resolveu elaborar um projeto intitulado “Manifesto das Pretas: uma ótica para a desconstrução do estigma racista e machista no campo da Educação Básica”, que tem como protagonistas as mulheres negras.

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Mulheres negras

Segundo as estudantes, ao iniciar as pesquisas e estudos na Iniciação Científica Júnior da Escola SESI Djalma Pessoa, no núcleo de História, Narrativas e Contemporaneidade, elas começaram a ter acesso, de forma mais aprofundada, a informações e temáticas que remetiam a própria existência e resistência delas na sociedade, como o feminismo negro.

Partindo desse princípio, as jovens decidiram que queriam desenvolver um projeto que tivesse como protagonistas as mulheres negras, um trabalho que tivéssemos liberdade e espaço para construir uma pesquisa sobre um assunto tão significativo e importante para elas.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

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Grupo desenvolveu trabalho para quebrar estigmas racistas e machistas | Divulgação

“Manifesto das Pretas”

*Por Bianca Xavier Ramos de Oliveira, Jamily Samara Jesus Aleluia e Lorena Xavier Silveira Bispo
*Coordenado por Fabiane Lima Santos

O projeto Manifesto das Pretas: uma ótica para a desconstrução do estigma racista e machista no campo da Educação Básica (final do Ensino Fundamental II e Ensino Médio) foi elaborado pelas participantes e autoras do texto, Bianca Xavier Ramos de Oliveira, Jamily Samara Jesus Aleluia e Lorena Xavier Silveira Bispo, alunas do Ensino Médio, sob a orientação da professora Fabiane Lima Santos.

Ao iniciar as pesquisas e estudos na Iniciação Científica Júnior da Escola SESI Djalma Pessoa, no núcleo de História, Narrativas e Contemporaneidade, nós começamos a ter acesso, de forma mais aprofundada, a informações e temáticas que remetiam a nossa própria existência e resistência na sociedade, como o feminismo negro.

Nesse contexto, decidimos desenvolver um projeto que tivesse como protagonistas as mulheres negras, um trabalho que tivéssemos liberdade e espaço para construir uma pesquisa sobre um assunto tão significativo e importante para nosso trio. Durante as reuniões para elaboração de um projeto, estávamos imergindo no mundo científico e em todas as possibilidades que ele oferece.

Grupo quis desenvolver trabalho que tivesse liberdade e espaço para construir uma pesquisa sobre um assunto tão significativo para elas | Divulgação

Assim, ao iniciarmos nossos momentos de “brainstorms” (tempestade de ideias), percebemos que existiam momentos comuns em nossas trajetórias que pouco eram vistos ou problematizados, situações que remetiam as nossas identidades, mulheres pretas.

A formação da sociedade brasileira, por séculos, foi conduzida pela visão eurocêntrica que fortalecia a perspectiva de que as mulheres negras deveriam ocupar os espaços historicamente estabelecidos, fator que contribui, e ainda possui influência, para as discriminações que esse grupo sofre. Contudo, os feitos realizados ao longo dos anos pelas mulheres negras, fortalecem a realidade, engrandecem a inteligência e beleza presente na nossa cultura.

Logo, essa foi a maior motivação para o nosso projeto, construir uma ferramenta que evidenciasse essa ótica, que representasse nosso grupo. Outrossim, a escrita de autoras sobre os pensamentos e a existência do feminismo negro, revela a carência da importância sobre as discussões envolvendo as problemáticas acerca das vidas das mulheres negras, pois, apesar de conseguirem alcançar tais objetivos, esse grupo ainda lidera os índices de Rankings negativos do corpo social – sociedade, como porcentagem de mulheres que são violentadas, de analfabetismo e desemprego do país.

Após essas reflexões, percebemos, sob uma visão mais aguçada, vários imbróglios que nos levam a questionar as ferramentas de apoio a não perpetuação do racismo e do machismo na sociedade e os caminhos trilhados pela educação das mulheres negras ao longo da história.

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Segundo as estudantes, os feitos realizados ao longo dos anos pelas mulheres negras fortalecem a realidade e engrandecem a inteligência e a beleza presente na cultura da mulher negra | Divulgação

Essa jornada de pesquisas, desafios e descobertas, foram pilares importantes para nossa construção, afinal “Quem cuida de quem cuida?”, consideramos que entender nossos sentimentos durante o desenvolvimento do projeto foi a base principal para a escrita. Por vezes, houve um desequilíbrio entre a razão e a emoção e a maior descoberta é saber que dá para equilibrar e, por meio dessa conciliação, foi possível narrar e reconstruir valores por meio da escrita.

Ademais, participar da FEBRACE foi um acontecimento extremamente significativo, estar em um evento dessa magnitude com um projeto sobre nós, nosso povo, nossa identidade, foi muito marcante e potente, conseguimos expor nossas ideias e angústias em forma de ciência e tais expressões foram escutadas, visibilizadas e premiadas. Além disso, esse trajeto nos permitiu conhecer projetos e avaliadores incríveis, o que contribuiu para evoluir e amadurecer tanto o direcionamento da nossa pesquisa quanto o nosso caminhar, enquanto jovens cientistas.

Acreditamos que o mais importante para quem deseja participar de uma feira de ciências é saber que é capaz! Os obstáculos serão muitos e, às vezes, você pode sentir que não vale a pena ou que nunca daria certo, mas acredite, os resultados são maravilhosos. Caso se sinta perdido, apenas inspire e expire, retorne a base das suas ideias e perceba a importância desse projeto, dessa jornada e o quanto pode ajudar a sociedade.

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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