Incêndios florestais podem causar raios? Poluição do ar é uma das causas do fenômeno

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Você provavelmente já deve ter ouvido falar que raios podem causar incêndios em florestas, não é mesmo? Mas a relação contrária tira o sono de cientistas há décadas: incêndios florestais também podem causar essas descargas elétricas. Agora, de acordo com um artigo publicado na revista Science, pesquisadores descobriram que a poluição do ar é um dos fatores que aumentam a ocorrência desse fenômeno. Isto é, ar mais sujo significa mais raios acima de incêndios florestais.

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raios em florestas

Entre os anos 2019 e 2020 ocorreu uma temporada de fogo, na Austrália, mais conhecida como “Verão Negro”. Na época, incêndios intensos queimaram mais de 186 mil quilômetros quadrados de terra, e consideráveis quantidades de fumaça estavam presentes sobre o Mar da Tasmânia.

Usando dados de satélite e sistemas de detecção de raios terrestres, Yakun Liu, meteorologista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e sua equipe rastrearam o movimento dos aerossóis (pequenas partículas suspensas no ar) gerado por incêndios florestais do Verão Negro, a fim de relacionar essa presença com a atividade de raios na região. Durante os incêndios, o ar acima de uma extensa faixa do oceano se tornou muito poluído. Seguramente, seria preciso uma erupção vulcânica para fazer pior, afirma Liu.

Aumento de raios

Segundo os pesquisadores, em meio a essa poluição atmosférica marítima, a atividade de raios aumentou em até 270% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O que significa cerca de 12 até 43 descargas elétricas por quilômetro quadrado em um ano. “Isso é muito mais alto do que eu esperava”, opina Graciela Raga, cientista atmosférica da Universidade Nacional Autônoma do México, cidade do México, que não estava envolvida na realização do estudo.

O impacto causado pela presença dessas partículas na atmosfera se explica com o processo de formação dos raios. As cargas elétricas, que originam as descargas, surgem dentro de uma nuvem de tempestade por conta do choque de cristais de gelo que se movimentam dentro dela. Liu e seus colegas perceberam maiores concentrações desses cristais de gelo em nuvens poluídas por aerossol sobre o Mar da Tasmânia.

A equipe sugere que o fluxo de aerossóis nos céus acima do mar contribuiu para que mais gelo pudesse se formar, como se cada partícula de poluição fosse uma semente para a água se acumular e formar um cristal. Eles também descobriram que o volume de chuva em tempestades de raios aumentaram 240% sobre o Mar da Tasmânia: de 12,2 para 41,8 milímetros por dia.

Joel Thornton, cientista atmosférico da Universidade de Washington, Seattle, que também não esteve envolvido com a pesquisa, acredita que essa história significa mais que incêndios florestais, já que a poluição urbana também pode lançar partículas parecidas com essas na atmosfera. “Quando você pensa sobre o tamanho das partículas e a escala dos impactos que elas estão tendo sobre a natureza das tempestades, isso é notável.”

Fonte: Science Magazine 

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Jornalista e produtora de conteúdo. Desde criança, amo escrever e refletir sobre diversos assuntos. Faço questão de estar imersa nas redes sociais (minha favorita é o Instagram), e séries e filmes têm sempre um espacinho reservado no meu tempo livre. Como uma boa fã de Friends, acredito que um pouco de descontração é fundamental para levar a vida da melhor forma possível.