Pesquisas não confiáveis de ciências sociais fazem mais sucesso

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Você já parou para pensar no poder das fake news? Em 2011, um artigo de psicologia chamou atenção nas redes sociais e notícias em geral: dizia que as pessoas usavam a internet como uma forma de memória “externa”. Em 2018, uma equipe de psicólogos colocou este e outros outros 20 estudos de ciências sociais de alto nível à prova.

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fake news

Foi então que um alerta surgiu. Normalmente a ciência espera que um artigo mais recente, que traz à tona questionamentos sobre os resultados anteriores, seja mais citado do que o artigo original. No entanto, neste caso isso não foi observado. O estudo original de 2011 foi citado 1417 vezes, sendo que mais de 400 dessas citações vieram após a nova análise de 2018, que em média teve uma repercussão muito menor do que essa.

Evidências desse efeito podem ser observadas numa nova pesquisa publicada pela revista Science, ela reforça a popularidade de estudos não confiáveis: artigos de ciências sociais que não puderam ser replicados somaram mais 153 citações do que artigos que foram replicados com sucesso.

As economistas Marta Serra-Garcia e Uri Gneezy, da Universidade da Califórnia, queriam testar se as publicações de pesquisas com credibilidade receberam mais atenção do que as menos propensas a serem verdadeiras. Por isso, foram reunidos dados de 80 artigos de três projetos diferentes que tentaram replicar descobertas relevantes na área de ciências sociais, com diferentes níveis de sucesso.

Como resultado, as citações do Google Scholar foram muito maiores para os artigos que não conseguiram ser replicados, obtendo um aumento médio de 16 citações extras por ano. Além disso, ao examinarem citações em artigos publicados depois dos projetos de replicação de referência, elas descobriram que os artigos quase nunca reconheciam a falha de replicação, isto é, apenas 12% das vezes.

Falta de replicação significa fake news? 

Segundo Serra-Garcia, uma replicação fracassada não significa necessariamente que o estudo original foi falso. De acordo com o tempo, diferentes métodos e hábitos entre os participantes (como mudar padrões de uso da internet, por exemplo) podem explicar por que um resultado antigo pode não se sustentar.

Mas ela complementa dizendo que suas descobertas apontam uma tensão fundamental: os cientistas querem que seu trabalho seja confiável, mas também desejam publicar resultados que chamem a atenção. Segundo a pesquisadora, é possível que os revisores de pares baixem suas exigências para obter evidências quando os resultados são surpreendentes. O que pode significar resultados impressionantes, mas, muitas vezes, também evidências mais fracas.

A ideia de que “alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias” parece se suavizar quando se trata de decisões de publicação, afirma o biólogo computacional da Universidade de Massey Thomas Pfeiffer, pesquisador de questões de replicação, que não estava envolvido com o trabalho. Ele completa dizendo que é necessário mais para reforçar a credibilidade do trabalho publicado, como um limite maior para o que conta como boas evidências, e mais esforço para se concentrar em questões e métodos de pesquisa fortes, em vez de descobertas chamativas.

Fonte: Science Magazine

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Jornalista e produtora de conteúdo. Desde criança, amo escrever e refletir sobre diversos assuntos. Faço questão de estar imersa nas redes sociais (minha favorita é o Instagram), e séries e filmes têm sempre um espacinho reservado no meu tempo livre. Como uma boa fã de Friends, acredito que um pouco de descontração é fundamental para levar a vida da melhor forma possível.