É possível se comunicar em diferentes culturas usando apenas sons e gestos?

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Você já tentou se comunicar com alguém que fala um idioma diferente do seu? Quando isso acontece, as pessoas normalmente recorrem ao uso das mãos, em vez de usar a voz. “Se o gesto é bom o suficiente para a linguagem, por que diabos conversamos?”, refletiu Aleksandra Ćwiek, estudante de doutorado em linguística no Centro de Linguística Geral leibniz.

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se comunicar em diferentes culturas

 

Seguindo essa lógica, Ćwiek e seus colegas buscaram responder a essa pergunta em um novo estudo. Falantes de 28 idiomas conseguiriam adivinhar assertivamente significados em um jogo de “charadas vocais”, onde outras pessoas expressavam palavras como “água” somente usando sons vocais (sem a ajuda da linguagem).

A fim de prosseguir com o experimento, os pesquisadores usaram gravações de um estudo anterior. Nele, a maioria dos falantes de inglês criou vocalizações para 30 palavras, inventando seus sons sem usar palavras reais ou outras convenções linguísticas (como dizer “num num” para representar “comer”).

No caso de algumas ações específicas, como “dormir”, a estratégia era bem fácil: bastava fazer um som de ronco. Já na tentativa de representar certas palavras, não era tão simples assim. Para “frutas”, algumas pessoas fizeram um barulho, como uma maçã caindo e batendo no chão. Outros fizeram barulho de trituração. Por fim, para uma palavra abstrata como “bom”, as pessoas costumavam fazer um barulho que mudava de tom de baixo para alto; enquanto para “ruim”, muitos simularam um arremesso que foi de alto para baixo.

Comunicação com sons e gestos – resultados do estudo

Após observarem os resultados, Ćwiek e seus colegas pediram a um grupo diferente de 843 pessoas para combinar os sons gravados com seus significados corretos. O teste foi realizado com falantes de 25 idiomas, como inglês, alemão, sueco e chinês, por exemplo.

Para a surpresa da equipe, os participantes poderiam adivinhar significados gerais com sucesso. Cada significado correto foi apresentado com outras cinco opções incorretas. Portanto, “chutar” daria aos participantes uma chance de acerto de somente 17%. Segundo informações relatadas na revista Scientific Reports, pessoas falantes de todos os idiomas adivinharam corretamente, em média, 65% das vezes. Isso é o suficiente para mostrar que os participantes frequentemente entendiam as pistas, acreditam os pesquisadores. Assim como na etapa anterior do estudo, algumas palavras se mostraram mais fáceis do que outras.

Para amplificar a bagagem cultural do estudo, os pesquisadores também testaram participantes em comunidades que raramente usam linguagem escrita, em Vanuatu, Guiana Francesa e até mesmo no Brasil. Elas foram chamadas para escolher fotos, limitando o teste a conceitos que poderiam ser mostrados em uma fotografia.

Novamente, as pessoas mostraram bons resultados na tarefa. Elas estavam corretas ao menos 34% das vezes (em comparação com 8% se tivessem acertado aleatoriamente). Será que este resultado é significativo para a comunicação?

Na opinião de Limor Raviv, linguista evolucionário da Universidade Livre de Bruxelas, que não estava envolvido com o estudo, a descoberta permite que os linguistas passem a explorar como a vocalização e o gesto podem ter funcionado em conjunto na evolução da linguagem, em vez de discutir sobre o que veio primeiro: “Torna o mistério da mudança do gesto para a linguagem falada obsoleto”.

Fonte: Science Magazine

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Jornalista e produtora de conteúdo. Desde criança, amo escrever e refletir sobre diversos assuntos. Faço questão de estar imersa nas redes sociais (minha favorita é o Instagram), e séries e filmes têm sempre um espacinho reservado no meu tempo livre. Como uma boa fã de Friends, acredito que um pouco de descontração é fundamental para levar a vida da melhor forma possível.