Cérebros de nossos ancestrais se desenvolveram bem mais tarde do que pensávamos

publicidade

É difícil ter certeza de quando nossos ancestrais desenvolveram cérebros semelhantes aos nossos. Já que eles quase nunca se transformam em fósseis, os pesquisadores analisam as imperfeições no crânio por meio de ranhuras, dobras e protuberâncias. Um novo estudo que investiga essas marcas afirma que nosso gênero, Homo, desenvolveu uma linguagem complexa e fabricação de ferramentas avançadas centenas de milhares de anos mais tarde do que era pensado pela ciência.

publicidade

Segundo um artigo publicado pela revista Science, alguns pesquisadores discordam do resultado. Porém, admitem que a pesquisa lança uma luz necessária sobre as estruturas que o cérebro apresentava inicialmente.

Crânios fósseis

Os crânios fósseis foram descobertos na década de 1990, em Dmanisi, Geórgia. Eles são da primeira espécie ancestral humana, chamada Homo erectus, que apresenta alguns dos primeiros membros do nosso gênero.

No novo estudo, os pesquisadores utilizaram técnicas de imagem de alta resolução, como a tomografia síncrotron, que permite a obtenção de imagens tridimensionais de forma rápida e quantitativa. O objetivo era escanear as caixas cranianas de cinco crânios de Homo erectus encontrados na mesma cidade em que a espécie ancestral foi descoberta.

Após a criação de modelos computadorizados, os pesquisadores compararam onde certas regiões do cérebro estariam localizadas em endocasts de humanos vivos e grandes macacos.

Os pesquisadores partiram de dois pontos de referência que chamaram a atenção: a sutura coronal, que significa um sulco horizontal ao longo do topo do crânio; e o sulco pré-central, que corre ao longo do topo do cérebro e para baixo na lateral. Em grandes macacos, o sulco pré-central cruza os caminhos com a sutura coronal em direção à frente do crânio. Mas, na maioria dos humanos modernos, esse sulco é deslocado para trás. Após muitas análises, a conclusão foi de que os primeiros membros do nosso gênero não possuíam cérebros humanos particularmente modernos.

Elliot Murphy, neurobiologista e estudioso do processamento da linguagem no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em Houston, afirma que o novo estudo é “cuidadoso e esclarecedor” e representa um salto adiante em nossa compreensão da evolução do cérebro.

Mas nem todos pensam dessa forma. Um questionamento sobre a pesquisa é se seria possível fazer um julgamento correto sobre a estrutura do cérebro com base nos pontos de referência da sutura coronal e do sulco pré-central. E aí, qual a sua opinião sobre o assunto? Acredita no estudo ou ainda não se convenceu?

Se você é fã de descobertas sobre o cérebro, confira nosso vídeo com 5 ilusões de ótica para fazer em casa:

Fonte: Science Magazine 

Deixe seu comentário