Bactérias da boca de ancestrais humanos sugerem grande consumo de carboidratos

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Um novo estudo de bactérias coletadas de dentes neandertais (uma espécie ancestral humana) mostrou que a alimentação composta por raízes, nozes e outros alimentos com amido alterou drasticamente o tipo de bactéria em suas bocas.

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A descoberta sugere que nossos ancestrais comiam muito amido há ao menos 600 mil anos. Mais ou menos a mesma época em que ocorreu uma grande expansão de seus cérebros.

neandertais

 

No entanto, os pesquisadores ainda têm dúvidas sobre a o papel da carne nesse processo. “Para que os ancestrais humanos crescessem eficientemente um cérebro maior, eles precisavam de alimentos energéticos densos que contenham glicose”, informa a arqueóloga molecular Christina Warinner, de Harvard, e o Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana. “A carne não é uma boa fonte de glicose.”

Neandertais: consumo de amido

Já as plantas com amido, por outro lado, podem ser uma ótima fonte de glicose. Para verificar se as bactérias orais se modificam com a dieta ou ambiente, Warinner, juntamente com o estudante de pós-graduação Max Planck James Fellows Yates e uma grande equipe internacional, analisaram as bactérias orais presas aos dentes dos neandertais, além de humanos modernos da pré-agricultura que viveram há mais de 10 mil anos, chimpanzés, gorilas e macacos bugios.

Os pesquisadores descobriram bilhões de fragmentos de DNA de bactérias mortas há muito tempo ainda preservados nos dentes de 124 indivíduos. Um deles era um neandertal que viveu há 100 mil anos na Caverna pešturina, na Sérvia, que produziu o mais antigo genoma do microbioma oral reconstruído até o momento.

As comunidades de bactérias nas bocas de humanos pré-agroculturais e neandertais se pareciam muito umas com as outras, de acordo com um relato da equipe no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences. Tanto humanos quanto os neandertais abrigavam um grupo de bactérias estreptococos em suas bocas. Esses micróbios continham a habilidade de se ligar a uma enzima abundante na saliva humana chamada amilase, com a função de liberar açúcares de alimentos com amido.

A bactéria consome açúcar nos dentes dos neandertais e dos humanos modernos antigos, mas não dos chimpanzés. De acordo com os pesquisadores, isso mostra que eles estavam comendo mais alimentos com amido.

Descobrir a bactéria estreptococos nos dentes de humanos antigos e neandertais também sugere que eles herdaram esses micróbios de seu ancestral comum, que viveu há mais de 600 mil anos.

Por fim, o estudo mostra uma nova maneira de detectar grandes mudanças na dieta, conta o geneticista Ran Blekhman, da Universidade de Minnesota, Cidades Gêmeas. No caso dos neandertais, traz indícios do quanto dependiam das plantas.

Fonte: Science Magazine 

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