Projeto BioStretch desenvolve bioplástico de resíduos industriais

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Observar os problemas da cidade que estão ao nosso redor pode servir como estímulo para produzirmos coisas incríveis. Esse foi justamente o caminho seguido por Laura Nedel Drebes, estudante do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), ao desenvolver um bioplástico de resíduos industriais.

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Bioplástico de resíduos industriais

A jovem, que desde muito nova acompanha os problemas ocasionados pelo lixo plástico no Litoral Norte Gaúcho, resolveu por meio da ciência desenvolver uma alternativa sustentável aos plásticos convencionais a partir de fontes renováveis.

A ideia de produzir um bioplástico de resíduos industriais surgiu quando Laura ingressou no IFRS e decidiu compartilhar essa vontade com a professora Flávia Twardowski, que logo decidiu acreditar na ideia e convidar o professor Cláudius Soares para integrar a equipe.

Quer conferir mais sobre o projeto? Leia o artigo produzido pelo grupo a seguir:

Bioplástico-de-resíduos-industriais
Projeto buscou desenvolver uma alternativa sustentável aos plásticos convencionais a partir de fontes renováveis | Divulgação

“BioStretch: síntese de polímero a partir de resíduos industriais”

*Por Laura Nedel Drebes
*Coordenado por Flávia Twardowski e Cláudius Soares

Me chamo Laura Nedel Drebes, sou estudante do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – campus Osório. Junto a minha orientadora, a professora Flávia Twardowski e ao meu coorientador, o professor Cláudius Soares, fui finalista da 19ª FEBRACE com o trabalho BioStretch: síntese de polímero a partir de resíduos industriais.

Analisar sobre os acontecimentos, fenômenos, problemas e tudo aquilo que nos rodeia sempre fez parte do meu ser. Resido em uma cidade do Litoral Norte Gaúcho e desde muito nova, acompanho os problemas ocasionados pelo lixo plástico na beira-mar. Tal problema se intensifica no verão e em épocas festivas, como Réveillon e Carnaval. Ainda no meu ensino fundamental, passei a acompanhar notícias de estudantes que estavam desenvolvendo projetos de pesquisa no ensino médio (o que até então eu não imaginava ser possível). Movida por um questionamento e encantada por aquilo que poderia ser feito através de um projeto científico, passei a ter como objetivo ser aluna do IFRS – campus Osório. Foi então que no ano de 2019 obtive a tão esperada aprovação. Logo quando ingressei no IFRS, fui procurar a professora Flávia Twardowski que é referência para estudantes e professores de todo Brasil por incentivar o desenvolvimento de projetos de pesquisa no ensino médio como uma forma de contribuir para uma educação mais significativa. Tendo a professora Flávia como inspiração e imaginando tudo o que ela poderia me ensinar, contei a ela sobre a minha vontade e motivação em fazer um projeto científico: desenvolver uma alternativa sustentável aos plásticos convencionais a partir de fontes renováveis. Foi ali, junto a ela, que tive a oportunidade de conhecer o professor Cláudius, um professor incrível que acolheu junto com a professora Flávia, uma aluna que sonhava em fazer ciência. Começou então, no ano de 2019, a minha jornada científica. No ano de 2020, iniciei minha pesquisa intitulada BioStretch.

|A jovem, que desde muito nova acompanho os problemas ocasionados pelo lixo plástico na beira-mar do Rio Grande do Sul, resolveu investir o seu tempo na ciência para consegui mudar isso | Divulgação

Os desafios que aparecem durante o caminho são inevitáveis. Mas, são estes que nos fazem crescer e sermos mais fortes. Durante a minha pesquisa, na qual eu desenvolvi um bioplástico feito totalmente a partir de resíduos industriais, encontrei diversos desafios. Tudo era muito novo, e por isso, foi necessário aprender sobre os resíduos industriais que eu iria utilizar, sobre como seriam os processos para produzir os biofilmes e se isso poderia dar certo ou não. Além disso, um obstáculo ainda maior surgiu: a pandemia do Coronavírus. No início da pesquisa eu não pude acessar o laboratório da minha escola e apenas no final de 2020 isso se tornou possível. Mesmo impossibilitada de colocar em prática a produção dos biofilmes, aproveitei o momento para fazer a pesquisa bibliográfica e realizei cursos e atividades relacionadas à temática. Foi um momento de me reinventar e de encontrar uma maneira diferente (da que eu imaginava) de fazer acontecer minha pesquisa. Felizmente, tenho junto a mim orientadores espetaculares: apesar dos momentos em que foi necessário estarmos distantes, os mesmos sempre se fizeram presentes, me incentivando e apoiando durante todo o processo.

As descobertas que eu tive com a pesquisa perpassam aquilo que eu obtive somente “em mãos”. Além de verificar com minha pesquisa de que sim, é possível desenvolver um biofilme feito com 100% de resíduos industriais para destinar a técnica de mulching, por exemplo (o que é incrível e fascinante), eu pude ver como a ciência é transformadora na vida das pessoas. Me tornei um ser humano melhor, com muitos novos aprendizados e experiências. E, através dela e comigo, uma rede de pessoas também foi transformada: meus orientadores, minha família, minhas amigas e todos aqueles que de alguma forma estiveram presentes durante essa construção de viés social e ambiental.

Participar da FEBRACE foi uma conquista e a realização de um sonho. Desde que iniciei minha trajetória no mundo da pesquisa tive o desejo de participar dessa feira de ciências que carrega em si, um grande valor para mim como estudante. Vejo ela como uma referência por reunir de forma muito afetuosa os alunos de diversos lugares do Brasil e por trazer especialistas renomados das mais diferentes áreas do conhecimento. A feira de ciências é um lugar incrível onde podemos divulgar tudo aquilo que desenvolvemos, além de ser um local para conhecermos novas pessoas e seus projetos. Participar desses eventos é emocionante e memorável, mas exige muita preparação, revisão e ensaios para que na hora da apresentação possamos transmitir da melhor e mais clara maneira nosso trabalho. Para quem almeja participar de uma feira de ciências, eu desejo muita determinação durante a elaboração do projeto. É necessário que sejamos fortes para que, quando as adversidades surgirem, sigamos firmes com o que queremos alcançar. Entreguem-se na sua pesquisa e deem o melhor de si naquilo que vocês estão desenvolvendo. Além de todo esse engajamento que acredito ser essencial, é de suma importância também estarmos em constante diálogo com nossos orientadores, afinal, como o nome já muito bem define, eles são fundamentais em todo esse processo. Para finalizar, gostaria de compartilhar algo que escuto sempre dos meus orientadores: “Não vamos para uma feira na intenção de ganhar prêmios, mas, para agregar experiências e aprendizados” – os prêmios são uma consequência daquilo que você apresentou, por isso, você já é um vencedor se tiver a oportunidade de ser um finalista de uma feira científica. Acredite em si, acredite na ciência e mude o mundo fazendo pesquisa.

Mesmo encontrando dificuldades no meio do caminho, a jovem não desistiu do seu sonho: fazer ciência | Divulgação

*A divulgação desse artigo na íntegra é uma parceria entre o Manual do Mundo e a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Nós convidamos os ganhadores da feira para escrever artigos sobre os projetos que eles desenvolveram. Você pode conferir outros textos como esse aqui.*

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