As 9 missões Apollo que foram até a Lua – parte 2

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Continuando nossa série das missões Apollo, chegamos agora em novembro de 1969, quatro meses depois do sucesso da Apollo 11, e a Nasa se prepara para lançar a segunda missão de pouso na Lua.

Apollo 12 – o resgate

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Desta vez, os tripulantes Charles “Pete” Conrad e Alan L. Bean tentariam pousar o módulo lunar próximo da sonda Surveyor III, que já habitava a Lua há mais de dois anos. Com grande maestria, Alan Bean conseguiu pilotar o Intrépido até estacioná-lo a uma curta distância de caminhada da antiga sonda, e, sem dificuldades, os dois astronautas puderam resgatar algumas peças dela para futuro estudo dos efeitos da radiação no espaço.

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Charles Conrad examina a Surveyor III

Havia também a bordo a primeira câmera de TV colorida do espaço, cuja transmissão seria feita para as milhares de pessoas que acompanhavam ao vivo os feitos da Apollo 12. Infelizmente, Alan Bean, que se dava muito bem com os controles da nave, não teve a mesma desenvoltura operando a câmera e, ao apontá-la sem querer para o Sol, acabou queimando seus sensores e deixando a sua aventura espacial um tanto menos colorida.

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Apollo 13 – o acidente

O piloto da missão Apollo 8, Jim Lovell, voltaria para a Lua como comandante da missão 13 para colocar, enfim, os pés na superfície lunar. Isso nunca aconteceu.

Lançamento da Apollo 13 em 11 de abril de 1970

A nave estava no trecho final da sua trajetória para a Lua quando os astronautas ouviram uma explosão vinda do SM (módulo de serviço) acompanhada de indicações de falha no sistema elétrico. Um pequeno curto circuito dentro do misturador de um dos tanques de oxigênio havia causado um incêndio que explodiu o topo do tanque e fez com que todo o oxigênio do SM se perdesse no espaço. Sem o oxigênio, as células combustíveis, que geravam a energia da nave, não funcionavam. Os astronautas estavam agora apenas com o O2 armazenado no CM (módulo de comando) e com a energia estocada nas baterias. Lovell, percebendo a situação, enviou a chamada de rádio “Houston, we have a problem” (na verdade o que ele falou mesmo foi “Houston, we’ve had a problem here”).

Houston, we have a problem

A partir de então, todos os esforços do Controle de Missão eram na direção de trazer os astronautas a salvo para a Terra. Das várias opções levantadas, a mais promissora envolvia usar o LM (módulo lunar) como um bote salva vidas. Embora feito para suportar apenas dois tripulantes por dois dias, havia oxigênio reserva suficiente para garantir a sobrevivência de três pessoas, se elas conseguissem se espremer ali pelos quatro dias que duraria a viagem de volta. A trajetória, porém, precisaria ser corrigida ainda.

As primeiras missões Apollo usavam uma trajetória chamada de “Free Return” (retorno garantido) que daria uma volta por trás da Lua e, caso nenhum motor fosse acionado durante essa passagem, colocaria a nave automaticamente numa órbita que voltaria para a Terra. O problema é que essa órbita limitava muito os locais que poderiam ser explorados na Lua e, a partir da Apollo 12, uma nova trajetória passou a ser usada: Trajetória Híbrida.

Nesta, a nave é colocada numa órbita elíptica que retorna assim que sai da Terra. No meio do caminho, após checar todos os sistemas e garantir que está tudo funcionando, a cápsula faria uma “queima” (acionamento dos motores) para colocá-la numa trajetória de encontro com a Lua e que não retornaria. A ironia, no entanto, é que o problema da Apollo 13 ocorreu justamente depois dessa queima e, agora, os astronautas precisariam corrigir o curso se quisessem voltar para a Terra.

Trajetória híbrida: no lançamento é uma trajetória de retorno; no meio do caminho é feito uma alteração que coloca a nave na rota para a Lua. O problema ocorreu após essa alteração. crédito: NASA

Corrigir o curso não é uma tarefa normalmente complicada. Faz-se alguns cálculos, mede-se a orientação da nave usando os sistemas de navegação, confirma-se se os dados batem com a orientação das estrelas e aciona-se os motores por alguns segundos. No caso da 13, porém, estava tudo complicado. Os astronautas teriam que fazer a queima do módulo lunar, de um motor que não foi projetado para isso, usando um sistema de navegação que não estava orientado adequadamente e, com a fumaça do vazamento de O2 envolvendo a nave, não daria para usar as estrelas para checar a orientação. Fazendo cálculos na mão, Jim Lovell conseguiu transpor as coordenadas do CM (módulo de comando) para o módulo lunar e acionou os motores por 34,23 segundos para uma mudança de trajetória com sucesso: eles estavam voltando para casa, mas passariam por trás da Lua antes e levariam ainda 4 dias.

A gambiarra

Embora o oxigênio dentro do LM fosse suficiente, havia o perigo da intoxicação por gás carbônico. No CM o CO2 é absorvido por filtros de Hidróxido de lítio de base quadrada, enquanto que no LM os filtros são de base redonda. Eles teriam que fazer algum gambiarra para adaptar os filtros sobressalentes do CM no equipamento do LM, e assim foi feito – usando saco plástico, mangueiras do traje lunar e muita silver tape.

Astronautas preparando a gambiarra para adaptar o filtro quadrado no receptáculo redondo.

Houve diversos outros problemas na viagem. Passar 87 horas de maneira improvisada, num lugar apertado, não é nada simples. Tiveram que racionar água, já que o módulo lunar não gerava água suficiente e passaram muito frio, pois os aquecedores do LM eram bem limitados. O importante, porém, é que conseguiram voltar a salvo usando ciência para isso. A missão Apollo 13 não teve o sucesso almejado, mas serviu para a NASA rever diversas falhas e protocolos de segurança para garantir o sucesso das próximas. Tivesse ocorrido um desastre aqui, pode ser que a história da conquista da Lua tivesse sido bem diferente.

Lovell passando frio dentro do Módulo Lunar

Aguardem a parte 3 para a continuação das missões Apollo, que foi o mais ousado empreendimento humano.

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