Comunicador de ciências: a profissão em busca de reconhecimento

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Comunicar conhecimentos científicos e compartilhar os achados podem ser tão gratificantes para quem atua por trás das câmeras como para quem está aí, do outro lado. Foi o que a comunicadora Camila Laranjeira descobriu há alguns anos, progredindo e se adaptando desde então.

Camila Laranjeira
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Camila nasceu na Bahia e já adulta se mudou para Minas Gerais, onde hoje vive. Mestre em Ciência da Computação pela UFMG, hoje, em parceria com a Dra. Vivi Mota, comanda o projeto de divulgação “Peixe Babel“. Usando o YouTube como o principal meio para divulgação, também está presente em outras redes sociais, falando sobre ciência de dados, programação, robótica e computação. Todos assuntos que quem acompanha o Manual do Mundo se interessa pra valer.

O Começo

Há 5 anos a Camila publicava seu primeiro trabalho em vídeo. Falava sobre o chute inicial da copa do mundo dado por um homem paraplégico, com o auxílio da robótica. E desde o início já se mostrava desenvolta, mesmo tendo mínimo contato com canais de comunicação científica. Ainda não conhecia o Manual do Mundo, por exemplo, que na época já era bastante reconhecido. Mas foi inspirada em influencers populares da época, não ligados a ciências, que ela começou a desenvolver a linguagem (que iria melhorar bastante ao longo do tempo) essencialmente graças ao contato com outros divulgadores, como Davi Simões, do projeto Primata Falante e de exemplos como Simone Gertz, “maker” sueca de grande destaque.

Camila Laranjeira em uma de suas apresentações

No momento da publicação desta coluna, no meio da pandemia do novo coronavírus, o canal Peixe Babel passou a ser conhecido também como o responsável pelos gráficos disponibilizados na “live” do Dr. Atila Iamarino sobre os perigos da pandemia. “Live” essa que foi visualizada milhões de vezes e virou tema de destaque por mostrar projeções iniciais alarmantes. Como consequência hoje, depois de alguns meses, aproveitando a expertise em análise de dados, o Peixe Babel disponibiliza informações atualizadas sobre a COVID-19 em uma página especial para essa finalidade.

Apesar da expertise, do tempo de estrada e das parcerias, o retorno financeiro da investida na divulgação ainda não garante o suficiente para que ambas possam se dedicar exclusivamente para o projeto Peixe Babel. A inconstância das oportunidades e parcerias é um fator que dificulta a manutenção financeira do projeto. Vale destacar que comunicação científica é um trabalho, que precisa ser remunerado, e a valorização desse trabalho ainda está caminhando na sociedade. Que caminhe rápido, tem muito divulgador bom espalhado pelo Brasil, esperando uma oportunidade de reconhecimento.

O Presente

Mesmo com as dificuldades hoje a situação já é bem mais estruturada. As professoras já possuem agente, já fecharam parcerias com grandes empresas e participam de diversos eventos pelo país. Sempre divulgando educação, ciência e tecnologia. Por mais que foquem mais nesses segmentos, tentam trazer mais do dia a dia aos seus trabalhos, como um pouco de suas rotinas pessoais. O projeto Peixe babel é destacado como uma entidade própria, com corpo e identidade particulares. Ainda assim é também muito interessante acompanhar a Camila nas suas redes particulares, para podermos sempre empatizar com os comunicadores – é divertido acompanhar as aventuras de Iberê e Mari nas suas redes pessoais, por exemplo.

Camila Laranjeira e Vivi Mota, responsáveis pelo projeto Peixe Babel

O Futuro

Em julho próximo, Camila e Vivi pretendem lançar um projeto financiado pelo Instituto Serrapilheira que foca no empoderamento dos profissionais diversos na área de tecnologia, assim promovendo espaços para debater e compartilhar a expertise que têm. O intuito é que cada vez mais pessoas nas áreas de ciência da computação tenham espaço. Afinal, nesse mundão da internet, quanto mais pessoas com boa expertise melhor. A Camila lá no começo, mesmo sem ter contato com muitos exemplos, já conseguiu produzir um bom conteúdo. Imagine que incrível agora, uma estudante de engenharia lá de Goias, que está afim de começar a divulgar seus estudos, possa se inspirar no Peixe Babel. E assim já partir de uma posição mais estruturada nessa aventura que é comunicar ciência.

Sucesso pra elas.

Espero encontrar você sempre por aqui. Tchau.

 

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